Mostrando postagens com marcador Segunda Guerra Mundial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Segunda Guerra Mundial. Mostrar todas as postagens

19/12/2020

Feliz, ao menos, por um instante


 

— A vida, qualquer vida, dura muito pouco. Mas se conseguimos ser felizes, ao menos por um instante, terá valido a pena.

— Um instante? Tão pouco tempo assim?

— Muito pouco. Basta ser feliz pelo tempo que um fósforo leva para acender e apagar.

- A Bibliotecária da Auschwitz

 

07/12/2020

Na adolescência tudo é intensidade


“[...] Para os mais velhos, um ano não era mais do que um gomo de laranja. Seus pais sorriam, e ela se mordia de raiva porque eles não entendiam nada: na juventude, um ano é quase uma vida inteira.”

 - A Bibliotecária de Auschwitz

04/12/2020

Nossa luz interior


“[...] Talvez vocês não percebam, mas têm uma luz em seu interior. Sim, sim, não me olhem com cara de quem está estranhando. [...] A diferença entre viver com essa luz apagada ou acesa é a mesma que iluminar uma caverna escura com um fósforo ou com uma lanterna.

 - A Bibliotecária de Auschwitz

02/12/2020

Nâo desista de suas metas

 “O atleta mais forte não é o que atinge a meta antes. Esse é o mais rápido. O mais forte é o que se levanta cada vez que cai. O que, quando sente dor nas costas, não para. É aquele que, quando enxerga a meta bem ao longe, não desiste. Quando esse corredor atinge a meta, ainda que chegue em último, é um vencedor. Às vezes, mesmo que você queira, não está em suas mãos ser o mais rápido, porque suas pernas não são tão compridas ou seus pulmões são mais limitados. Mas você sempre pode escolher ser o mais forte. Só depende de você, da sua vontade e do seu esforço. Não vou pedir que vocês sejam os mais rápidos, mas vou exigir que sejam os mais fortes”

- A Bibliotecária de Auschwitz

30/11/2020

Os livros são perigosos


“O que tanto temes os implacáveis guardas do Reich são apenas livros: livros velhos, descadernados, desfolhados e quase desfeitos. Mas que são perseguidos, condenados e vetados de maneira obsessiva pelos nazistas. Ao longo da história, todos os ditadores, tiranos e repressores, fossem arianos, negros, orientais, árabes, eslavos ou de qualquer outro tom de pele, defenderam a revolução popular, os privilégios das classes nobres, os mandamentos de Deus ou a disciplina sumária dos militares. Qualquer que fosse sua ideologia, todos tiveram algo em comum: sempre perseguiram os livros com verdadeiras sanha. São muitos perigosos, fazem pensar.”

- A Bibliotecária de Auschwitz.


28/08/2018

Berlim: Campo de Concentração Sachsenhausen

Aproveitando o último post sobre a Segunda Guerra Mundial, vamos embarcar em minha última aventura em Berlim: Campo de Concentação Sachsenhausen. Quando decidi ir para Berlim, pesquisei se havia algum campo nas rodendezas e cerca de 40 minutos de viagem de trem me levaram até lá. Comprei um tour guiado com o Get Your Tour Guide, e super recomendo, uma guia canadense nos acompanhou informando e ensinando tudo e mais um pouco (há opções de tour em inglês e em espanhol).
O campo Sachesenhausen tinha como objetivo o trabalho forçado, e fizemos o mesmo caminho dos Judeus do centro de Berlim até o campo. Havia centenas e centenas de campos de concentração para trabalho forçado, mas apenas seis voltados para o extermínio, e talvez seja por isso que não senti aquele tal arrepio e lágrimas nos olhos que todos sentem quando visitam Auschwitz Birkenau. O clima é pesado, há algo na atmosfera difícil de explicar, mas não é como os relatos do maior campo de extermínio da história.  
 
"O trabalho liberta" - portão de entrada do campo.

Mas voltando a Sachsenhausen, o local virou um memorial e é aberto para visitação. Foi inaugurado em em 1936 primeiramente para prender os partidários contra a política do Führer, servindo mais tarde como campo de concentração de Judeus. O campo servia também de centro de treinamento para os oficiais da Gestapo, a polícia secreta da Alemanha.

O campo dispunha dos quartos dos prisioneiros que era basicamente um amontoado de camas, cozinha, enfermaria e mais tarde a câmara de gás. 
  
Entrada do campo. O relógio em cima da torre marca exatamente a hora que
os soviéticos chegaram e libertaram os Judeus.
 
Após o término da Guerra, os galpões foram destruídos (retângulos no chão), deixando somente dois quartos, a cozinha, a enfermaria e o que sobrou da câmara de gás, que foi praticamente destruída após bombardeios.
 
 























Quando perguntamos à guia sobre os némeros de cada Judeu e o pijama listrado, tivemos como resposta que era muito mais fácil exterminar um número, alguém que já não se parecia mais com um humano do que alguém saudável e em boa forma. Quando os Judeus chegavam nos campos, ocorria um processo de "descarecterização humana".

 
 

 
 A estátua representa dois Judeus verificando se o que está deitado (assassinado em câmara de gás) possuí algo de valor, antes de levá-lo para os fornos de cremação.
Os Judeus que faziam esse trabalho não podiam dizer nada aos demais, era proibido falar sobre as câmaras de gás. Estes "trabalhadores" frequentemente acabavam se suicidando.
 
 
 
Escombros das câmaras de gás.
 



Escombros dos fornos de cremação.
 
Fora a descaracterização humana dos Judeus, o governo investia em propagandas enganosas que aumentavam mais ainda o desgosto da população para com os Judeus. Era realmente uma lavagem cerebral. E o que muita gente não sabe hoje, é que no início da guerra, os Judeus tentaram migrar para outros países, mas seus vistos foram negados. A Austrália por exemplo, foi um país que disse que não tinham problemas raciais no país, e que não iriam ter. Parece que não houve só um culpado em tudo isso, não é? E toda essa situação de vistos negados, não lembram os refugiados das guerras atuais?
Para encerrar deixo as fotos abaixo, e digo que todos deveriam conhecer um campo de concentração. É um lembrete de que ponto a humanidade chegou e um memorial para aqueles que não devem ser nunca esquecidos.
 
 
 
Pedras para os judeus e politicos que foram exterminados. As flores murcham, mas as pedras aguentam o vento frio, o sol escaldante, a neve e as folhas de outono. O tempo pode passer, mas as pedras jamais se vão.
 


20/08/2018

[Resenha] O Menino do Pijama Listrado - John Boyne


O livro o Menino do Pijama listrado, nos conta um pouco sobre a Segunda Guerra, e o que aconteceu com os judeus, porém, aos olhos de uma criança pura e ingênua, que via tudo com muita inocência – então é preciso ter uma certa noção sobre o que aconteceu entre 1939 e 1945 para saber o que está ocorrendo na história. Bruno é o personagem principal, ele mora em Berlim onde sua vida é perfeita para uma criança de nove anos, até que, por causa do trabalho de seu pai (comandante do campo de concentração em Auschwitz, o que Bruno não sabe, como também não sabe sobre a guerra que está acontecendo em seu país e sobre o holocausto) eles tem que se mudar para perto do campo, para facilitar o trabalho do pai. Em sua nova casa, Bruno não tem amigos, não tem ninguém que more perto, mas uma coisa lhe chama a atenção: várias pessoas de pijamas listrados depois de uma cerca ao longe, que consegue ver da janela de seu quarto. Ao perguntar para a irmã quem são eles, ela simplesmente responde “Judeus”, “E por que eles estão do lado de lá da cerca?”, “Porque nós não gostamos deles”, “E por que não gostamos deles?”, “Porque são judeus Bruno” [...].
 
Bruno começa a explorar ao redor da casa, até chegar na cerca e encontrar um garoto de pijama listrado, magro e triste – seu nome era Shmuel. E então uma amizade começa, e logo percebemos as coisas horríveis que eram feitas no campo, mas que para Bruno, não eram maldade, ele via tudo como “está faltando comida, por isso eles não comem muito”; “as casas são pequenas e poucas, por isso dormem todos muito juntos”. E no desenrolar da história ele e Shmuel vão ficando mais amigos, e tudo o que Bruno quer, é poder brincar do outro lado da cerca e ajudar a procurar o pai do amigo, que certo dia saiu para trabalhar e nunca mais voltou. E esse dia chega, Bruno consegue entrar no campo e ajuda Shmuel a procurar por seu pai, lá dentro ele se depara que tudo era diferente do que ele havia imaginado, guardas gritam com as pessoas e até batem nelas, as pessoas de “pijamas” são extremamente magras e tristes, não há muitas crianças por perto, e ele começa a ficar com medo e querer ir embora – mas o pior acontece. Enquanto a chuva forte caía, um apito alto soa, e várias pessoas começam a se aglomerar em volta de Shmuel e Bruno, e os forçam a ir em direção a um lugar fechado, para Bruno, era simplesmente para se proteger da chuva, mas esse local fechado, Bruno percebe, era uma câmara hermética – "era a hora do banho" . Nunca mais se ouviu falar de Bruno e Shmuel. Ambos com suas vidas acabadas em uma câmara de gás.
Os pais de Bruno nunca o acharam, nem o corpo, nem souberam o que realmente havia acontecido.
Páginas: 192.
Nota: 5 estrelas.

02/06/2018

Nas ruas de Berlim

Quando estive na Alemanha, fiquei em uma cidadezinha adorável chamada Lippstadt, mas no final de semana corri para Berlim para conhecer a história de um país tão incrível e marcado por tantas histórias fortes. 
Para se locomover no país é super tranquilo, fiz toda a viagem de trem e a Alemanha conta com um aplicativo (DB Bahn) muito bom que te mostra qual plataforma pegar o trem, se está atrasado ou não, o que fazer se perder uma conexão... Basicamente igual um aplicativo de companhias de avião, mas para trens. O aplicativo funciona com internet, os trens ICE possuem internet gratuita, mas os demais não - minha dica é ir em uma loja da Vodafone na Alemanha e comprar um chip com internet, assim não tem chances de passar apuros.  
Voltando para Berlim, as aventuras serão dividas em três posts: locais gratuitos para conhecer em Berlim, os museus e por fim o campo de concentração Sachsenhausen. Metade do roteiro e dicas de como se virar, consegui no site Simplesmente Berlim (super recomendo).
O roteiro começa no hotel, Motel One Berlim Hauptbanhof, possuí um preço bom e é bem do lado da estação central. Cheguei na sexta a meia noite, e encontrei uma Berlim viva com várias pessoas na rua enquanto eu caminhava até o hotel. 


Platz der Republik

No dia seguinte minha primeira parada foi na Platz der Republik (praça da república), uma caminhada rápida em frente é mais do que suficiente para desfrutar do lugar. Depois caminhei até o Portão de Brandemburgo, um monumento enorme e muito bonito, uma colega minha disse que dá para ver marcas de tiro no portão, da segunda guerra, mas eu infelizmente não prestei tanta atenção. Em seguida fui para o Memorial to the Murdered Jews of Europe (memorial dos judeus assinados da Europa), só passei em frente também e caminhei entre os monumentos, há um museu pequeno bem ao lado, mas só abre às 10hrs, e eu estava caminhando lá às 8hrs. 


Portão de Brandemburgo


Portão de Brandemburgo


Memorial to the Murdered Jews 
Memorial to the Murdered Jews



Ainda passei em frente do Neue Wache, um memorial dedicado para as vítimas da guerra e da tirania, todo o local é fechado, com exceção da estátua que fica ao céu aberto, ao frio, ao calor e a chuva, justamente para simbolizar as vítimas.




Passei em frente ainda da Catedral de Berlim (MA-RA-VI-LHO-SA), não cheguei a entrar porque era preciso pagar, mas se eu tiver a oportunidade no futuro, com certeza entrarei, a riqueza de detalhes é exuberante.


Catedral de Berlim


Quase acabando o dia, caminhei morrendo até o Muro de Berlim, o local é chamado de East Side Gallery e contêm partes do muro com grafite. O muro é bem alto e eu só podia pensar em qual sentido fazia ter um muro dividindo a cidade. Como quase todos sabem, o muro foi derrubado no final da guerra fria, todas as ruas de Berlim são asfaltadas, mas é possível identificar onde o muro passava no chão, pois bem no local há um tipo de paralelepípedo. Ainda sobre a guerra fria, passei no Check Point Charlie, era exatamente neste local onde se dividia os lados. Funcionava como se fosse uma "portaria" entre o lado comunista e o capitalista. 


East Side Gallery (Pedaço do Muro de Berlim)

East Side Gallery

East Side Gallery


Check Point Charlie
Check Point Charlie - "Você está deixando o setor americano"

Marca do Muro de Berlim nas ruas

Para acabar a noite passei na topografia do terror, que fica aberto até às 20h. É tipo um museu que conta toda a história da segunda guerra mundial, desde como a guerra começou, como fizeram para incentivar o lance da raça ariana até o final da guerra. É tudo através de artigos, pedaços de jornais da época, fotos e muita história, então prepare-se para ler bastante. 




No domingo, para acabar com nosso post nas ruas de Berlim, passeei ainda pelo Tiergarten Park, um parque bem bonito onde é possível encontrar os berlinenses fazendo caminhada e correndo, e uma diversidade bem interessante. O parque termina bem no zoológico de Berlim, onde aparentemente vale a pena conhecer.  



Para ver mais fotos, basta acessar o instagram do blog, ou o meu pessoal.


29/12/2015

Casa Anne Frank - Um museu com muita história

A Casa de Anne Frank é um museu extraordinário. É o esconderijo onde, durante a Segunda Guerra Mundial, Anne Frank escreveu seu diário. Citações do diário de Anne, fotos, filmes e objetos originais ilustram os acontecimentos que aqui se passaram. 


"Há de chegar o dia em que esta guerra medonha acabará, há de chegar o dia em que também nós voltaremos a ser gente como os outros e não apenas judeus!" (Anne Frank, 11 de abril de 1944).

Anne Frank: Anne Frank é uma entre os milhões de vitimas da perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Ela nasceu em 12 de Junho de 1929, em Frankfurt am Mein, na Alemanha. Em 1933, com a ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha, instalando um regime antijudaico, a família Frank, de origem judaica, decidiu mudar-se para os Países Baixos, tendo-se fixado em Amsterdam, onde o pai, Otto, estabeleceu uma empresa. 

A ocupação dos Países Baixos: Em maio de 1940, o exército alemão invadiu os Países Baixos e implementou cada vez mais medidas contra os judeus. No dia 6 de julho de 1942, Otto e Edith Frank e as filhas Margot e Anne se esconderam. 

Desaparecimento: A família Frank escondeu-se no prédio da Prisengracht 263 onde Otto Frank tinha a sua empresa. Mais tarde, juntaram-se a eles Hermann van Pels, a sua mulher Auguste, o filhos deles, Peter, e Fritz Pfeffer. O prédio da empresa de Otto era composto por duas partes: a casa da frente e a "casa de trás" ou o Anexo Secreto. No andar superior do anexo viviam as oito pessoas escondidas. 

Diário: No seu décimo terceiro aniversário, Anne recebeu um diário dos pais. Quando a família Frank decidiu refugiar-se no Anexo Secreto, Anne levou o diário consigo.

Museu: Das oito pessoas escondidas, só Otto Frank sobreviveu à guerra. Ele decidiu publicar o diário de Anne. Em 1960 o Anexo Secreto, onde viveram escondidos, tornou-se museu.

Os moradores do Anexo


Otto Frank: Nasceu em 12 de maio de 1889 em Frankfurt am Mein, Alemanha; sobreviveu à guerra e faleceu com 91 anos em Basileia, na Suiça. 

Edith Frank-Hollander: Nasceu em 16 de janeiro de 1900 em Aken, Alemanha; faleceu, no campo de extermínio Auschwitz-Birkenau, em 6 de janeiro de 1945.

Margot Frank: Nasceu em 16 de fevereiro de 1926 em Frankfurt am Mein, Alemanha; faleceu de tifo, no campo de concentração Bergen-Belsen, em março de 1945.

Anne Frank: Nasceu em 12 de junho de 1929 em Frankfurt am Mein, Alemanha; faleceu de tifo, pouco depois de Margot, no campo de concentração Bergen-Belsen, em março de 1945.

Hermann van Pels (senhor Van Daan): Nasceu em 31 de março de 1898 em Gehrde, Alemanha; faleceu, provavelmente numa câmara de gás, no campo de extermínio Auschwitiz-Birkenau, em outubro de 1944.

Auguste van Pels-Rottgen (senhora Van Daan): Nasceu em 29 de setembro de 1900 em Buer, Alemanha; faleceu durante o transporte de Bergen-Belsen para o campo de concentração Theresienstadt, em abril ou maio de 1945.

Peter van Pels (Peter van Daan): Nasceu em 8 de novembro de 1926 em Osnabruck, Alemanha; faleceu no campo de concentração Mauthausen, em abril ou em maio de 1945.

Fritz Pfeffer (Albert Dussel): Nasceu em 30 de abril de 1889 em Giessen, Alemanha; faleceu, no campo de concentração Neuengamme, em 20 de dezembro de 1944.

Os colaboradores do Anexo

Miep Gies-Santrouschitz: Nasceu em 15 de fevereiro de 1909 em Viena, Áustria; faleceu em 11 de janeiro de 2010 em Hoorn, Países Baixos.

Johannes Kleiman: Nasceu em 17 de agosto de 1895 em Koog aan de Zaan, Países Baixos; faleceu em 28 de janeiro de 1959 em Amsterdam. 

Victor Kugler: Nasceu em 6 de junho de 1900 em Hohenelbe, Áustria; faleceu em 14 de dezembro de 1981 em Toronto, Canada. 

Bep Voskuijl: Nasceu em 5 de julho de 1919 em Amsterdam, faleceu em 6 de maio de 1983 em Amsterdam.

Armazém

Otto Frank tinha duas empresas sediadas neste prédio: a Opekta e a Pectacon. A Opekta comercializava um gelificante para compota e a empresa Pectacon fazia condimentos para carne. Para tal, no armazém moíam-se especiarias, tais como pimenta e cravo.
Os empregados do armazém desconheciam que havia gente escondida no anexo. No entanto, os empregados do escritório sabiam. Otto Frank pediu-lhes para o ajudarem a ele e à sua família, na clandestinidade. 
"Durante o dia temos sempre que andar levemente e falar sem barulho, porque não nos podem ouvir no armazém" (Anne Frank 11 de julho de 1942).
Escritório

Os empregados do escritório e colaboradores, Victor, Miep, Joahannes e Bep, mantiveram-se a trabalhar para a Opekta e Pectacon durante a guerra. Partilhavam o mesmo espaço de escritório. Os colaboradores forneciam aos clandestinos alimentos, roupas, livros e jornais. Esta responsabilidade era pesada: os clandestinos estavam completamente dependentes deles e ajudar pessoas escondidas era uma atividade de grande risco.
Miep Gies e Bep Voskujil compravam alimentos nas lojas do bairro e no mercado negro. Jan gies, o marido de Miep, arranjava senhas de racionamento através de seus contatos com a resistência. Com o decorrer da guerra tornava-se cada vez mas difícil encontrar comida. 
"Kugler, por ter assumido uma responsabilidade colossal que lhe pesa demais e o põe tão nervoso que, por vezes, quase não consegue pronunciar uma palavra" (Anne Frank, 26 de maio de 1944).
Depósito

No depósito guardavam-se, entre outros, especiarias. Visto que as mesmas não podiam estar diretamente expostas à luz do dia, as janelas foram pintadas. Assim, o Anexo não era visível.

Os quartos do anexo estão vazios. em 1961, Otto Frank mandou fazer maquetes do anexo que mostram como este estava mobiliado durante o tempo em que serviu de esconderijo.
Depois dos clandestinos terem sido presos, o Anexo foi esvaziado por ordem dos nazistas. Em 1960, quando o Anexo se tornou um museu, os quartos ficaram vazios a pedido de Otto Frank. O Anexo vazio simboliza o vazio de milhões de pessoas que foram levadas e nunca mais voltaram.

Passagem com estante giratória


A estante giratória escondia a entrada para o anexo e foi construída à medida para este fim. As janelas da passagem foram forradas com papel opaco de fibra de vidro. Para quem se encontrava na parte da frente da casa, o anexo era totalmente invisível. 
"O nosso esconderijo é agora perfeito. O senhor Kugler teve a boa ideia de tapar a porta de entrada do anexo" (Anne Frank, 21 de agosto de 1942).
O esconderijo 

No dia 6 de julho de 1942, segunda-feira de manhã, Otto, Edith, Margot e Anne Frank foram para o esconderijo. Uma semana depois seguiu-se a família Van Pels: Hermann, um associado de Otto, Auguste e o filho Peter. Quatro meses maus tarde, juntou-se a eles Fritz Pfeffer, um conhecido da família Frank. Os clandestinos iriam permanecer dois anos no esconderijo. 
"Durante o dia nossas cortinas não podem abrir nem um centímetro" (Anne Frank, 28 de novembro de 1942).
Os clandestinos estavam 24 horas por dia no interior. As cortinas do anexo permaneciam sempre fechadas, para que os vizinhos não os pudessem ver. De dia, quando os trabalhadores estavam ao serviço do armazém, os clandestinos tinham de estar em silêncio. A falta de espaço no esconderijo e a angústia de serem descobertos provocaram muita tensão.

Quarto de Otto, Edith e de Margot Frank


O quarto de dormir de Otto, Edith e Margot era usado pela família Frank também como sala de estar. Anne encontrava-se aqui muitas vezes. 
Para a grande alegria dos clandestinos, os aliados chegaram à Normandia em 6 de julho de 1944. Cheios de excitação, os clandestinos seguiam os movimentos das tropas aliadas através da rádio. Num mapa, Otto Frank ia marcando os avanços.
Desde o início da vida de clandestino, Otto e Edith iam marcando com riscos na parede o crescimento das filhas. Em dois anos, Margot cresceu uns cinco centímetros e Anne mais de treze centímetros,

O quarto de Anne Frank e Fritz Pfeffer


Anne tinha de partilhar um quarto com Fritz e isso provocava regularmente grandes discussões. Custava muito a Anne não poder ir para o exterior. No sei diário podia desabafar e ela passava muito tempo escrevendo.
"Aprecia-me andar de bicicleta, danças, assoviar, ver o mundo, gozar a minha juventude, ser livre" (Anne Frank, 24 de outubro de 1943).
Como muitas meninas, Anne decorava o seu quarto com imagens. As imagens refletem a transformação de Anne menina para mulher adulta. No início, ela gostava sobretudo de estrelas de cinema, mais tardem ela interessou-se mais pela arte e pela história. Ela acrescentava imagens e colava-as umas sobre as outras.
"O pai trouxe toda a minha coleção de postais de estrelas de cinema e revistas, e eu transformei-os, com colas e pincel, em lindos quadros para as paredes. Agora o quarto tem um aspecto alegre" (Anne Frank, 11 de julho de 1942).
Banheiro

Durante o dia, os clandestinos evitavam usar o vaso sanitário e a torneira. A canalização passava pelo armazém e os empregados não sabiam que havia gente escondida no edifício. 
"'Sst... pai, quieto, Otto, sst.... Anda cá, já não podes deixar a água correr. Anda devagar!' Estes foram os vários avisos para o pai no banheiro. Às nove horas em ponto ele tem de estar na sala. Nem uma gota de água pode correr, já não se pode ir ao banheiro, não se pode andar, tudo quieto" (Anne Frank, 23 de agosto de 1943).
O quarto de Hermann e de Auguste van Pels e sala comum

O quarto de dormir de Hermann e de Auguste servia igualmente de sala de estar e de cozinha. Os clandestinos passavam aqui muito tempo a cozinhar, a comer, a estudar, a ler, a rir e a discutir. Com o decorrer do tempo, estar escondido tornava-se mais difícil. As reservas de alimentos diminuíam e as tensões e irritações aumentavam. 
"Para amanhã já não temos um pedacinho de pingue, para já não falar de manteiga ou margarina. O nosso almoço: couve de conserva de barrica! É incrível como a couve cheira mal depois de ter estado guardada durante o ano todo!" (Anne Frank, 14 de março de 1944).
Quarto de Peter van Pels


 Peter era o único dos clandestinos que tinha um "quarto" próprio. A escada no seu quarto conduzia ai sótão, onde se guardavam os alimentos. Anne e Peter passavam muito tempo no sótão. Era o único lugar onde eles podiam olhar para a rua e estarem sozinhos.
"Olhávamos os dois para o céu azul, para o castanheiro sem folhas, em cujos ramos cintilavam gotinhas, para as gaivotas, no seu voo planado, parecem de prata" (Anne Frank, 23 de fevereiro de 1944).
Inicialmente, Anne não tinha grande apreço por Peter. Mais tarde, corrigiu essa imagem; até se apaixonou por Peter e recebeu dele o seu primeiro beijo. Depois de algum tempo, estes sentimentos passaram e Anne afastava-se mais dele.

A Sjoa (traição)

Após uma denúncia feita por telefone às S.S. alemãs, a polícia invadiu a Prisengracht 263 em 4 de agosto de 1944. Tinham sido traídos. Os oito clandestinos e os colaboradores Joahnnes Kleiman e Victor Kugler foram presos. Os nazistas deixaram Miep Gies e Bep Voskujil em paz. 
Há muitas teorias sobre a traição. Nenhuma pôde ser confirmada, apesar de diversas investigações que foram feitas depois da guerra, o traidor nunca foi encontrado.
Em 3 de setembro de 1944, os oito clandestinos foram deportados para o campo de extermínio Auschwitz-Birkenau. Das oito, apenas Otto Frank sobreviveu à guerra, assim como os colaboradores. 

Otto Frank
"Para construíres um futuro, tens de conhecer o passado" (Otto Frank, 1967)
No dia 3 de junho de 1945, Otto Frank voltou para Amsterdam. Sabia que sua mulher Edith tinha morrido, mas tinha esperanças que suas filhas ainda estivessem vivas. Depois de saber que Margot e Anne tinham morrido em Bergen-Belsen, Miep Gies entregou-lhe os diários de Anne.
Após alguma hesitação, Otto decidiu publicar o diário. No dia 25 de junho de 1947, saiu a primeira edição em holandês.
Otto Frank empenhou-se, durante o resto de sua vida, no combate à discriminação e aos preconceitos. Ele teve um papel ativo na abertura do esconderijo como museu, em 1960. Até à sua morte em 1980, ele respondeu milhares de cartas de pessoas que tinham lido o diário de Anne.

O diário


"Quando escrevo, sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem volta" (Anne Frank, 5 de abril de 1944).
No seu décimo terceiro aniversário, Anne recebeu um diário com uma capa de quadrados vermelhos. Quando este ficou cheio, ela continuou a escrever em cadernos. A partir de 20 de maio de 1944, Anne reescreveu o diário em folhas soltas. Ela queria publicar um livro, depois da guerra, sobre a sua vida no Anexo Secreto. Anne também escrevia pequenas histórias e copiava frases dos livros que lia.
"O que passou, já não podemos mudar. A única coisa que podemos fazer é aprender com o passado e compreender o que significa a discriminação e a perseguição de gente inocente. A minha opinião é que todos temos a obrigação de combater os preconceitos" (Otto Frank, 1970)
"Quero continuar vivendo, mesmo depois de minha morte", escreveu Anne em seu diário em 5 de abril de 1944. Seu maior sonho? Se tornar uma grande escritora. O que ela não sabia, é que seu diário iria se tornar um dos livros mais lidos do mundo. O diário e a história da vida de Anne continuam sendo uma fonte de inspiração para pessoas de todas as gerações e nacionalidades.

"Você sabe desde muito tempo que meu maior desejo é se tornar uma jornalista, e mais tarde, uma famosa escritora. Em todo caso, depois da guerra eu gostaria de publicar um livro chamado 'O Anexo Secreto' " (foto tirada por mim, no ultimo cômodo visitado).
"Eu sei o que quero, tenho um objetivo, tenho uma opinião, tenho uma crença e um amor" (Anne Frank, 11 de abril de 1944).


Nota pessoal: Todo o texto acima foi retirado do panfleto que entregam na entrada da casa de Anne Frank. Infelizmente não é possível fotografar o museu, as fotos acima foram retiradas da internet. 
A sensação de visitar o museu é indescritível, não há palavras para explicar tamanha emoção. Ao longo do cômodos vemos frases de Anne, sua história em cada centímetro do lugar. Confesso que por diversas vezes segurei o choro, não apenas por estar ali, mas pela história que cerca todo o lugar, a história de milhares de pessoas que viveram durante aquele período, tornando-o histórico.

Foto de um dos cômodos.