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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

[Resenha] A cidade do Sol - Khaled Hosseini



A primeira nota que tenho a fazer sobre o livro “A Cidade do Sol” de Khaled Hosseini é: tenha um estomago forte para ler. Se você já se comoveu com O Caçador de Pipas, as coisas ficam piores neste livro de Khaled. 

O autor nos conta a história de duas afegãs, que não tem nada em comum desde sua criação. Mariam mora apenas com a mãe, uma vez que seu pai tem vergonha de assumi-la como filha por ter sido fora do casamento e aos 14 anos se vê obrigada a casar com um sapateiro que mora em Cabul e que faz jus ao significado contemporâneo da palavra “machista”. Confesso que durante esta narração (e durante todo o livro) fui obrigada a parar algumas vezes e retomar a leitura alguns dias depois, tamanha era minha indignação e agonia. 

Agora vamos para Laila, a caçula da família cujo pai é professor e a educa para ser uma mulher livre e com direitos, enquanto as coisas vão bem com seu pai, para sua mãe ela parece ser invisível, uma vez que ela só se preocupa com a volta dos filhos da guerra, esquecendo todo o resto a sua volta, incluindo Laila e o marido. Por sorte Laila tem um amigo inseparável, Tariq, o qual cresceram juntos e promete trazer muitas reviravoltas e emoções durante a história. 

Enfim nossas duas protagonistas tem seus destinos unidos devido a guerra, e então, como será esse encontro? E em quais circunstâncias? A partir deste encontro as emoções no livro triplicam e você fica em dúvida entre atira-lo na parede, chorar, rir ou querer ir no Afeganistão buscar todas as mulheres para cuidar. 
Foi um livro que me fez enxergar a cultura afegã de forma diferente, inclusive sua religião, com pontos positivos e negativos e que me faz cativar pelas personagens e sempre almejar o melhor para ambas.

É um livro excepcional e que com certeza recomendo para todos aqueles que estão dispostos a abrir a mente e o coração, e a se aventurar e chorar nesta história cheia de surpresas e reviravoltas e com um final surpreendente.

Páginas: 365.
Estrelas: 5.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Berlim: Campo de Concentração Sachsenhausen

Aproveitando o último post sobre a Segunda Guerra Mundial, vamos embarcar em minha última aventura em Berlim: Campo de Concentação Sachsenhausen. Quando decidi ir para Berlim, pesquisei se havia algum campo nas rodendezas e cerca de 40 minutos de viagem de trem me levaram até lá. Comprei um tour guiado com o Get Your Tour Guide, e super recomendo, uma guia canadense nos acompanhou informando e ensinando tudo e mais um pouco (há opções de tour em inglês e em espanhol).
O campo Sachesenhausen tinha como objetivo o trabalho forçado, e fizemos o mesmo caminho dos Judeus do centro de Berlim até o campo. Havia centenas e centenas de campos de concentração para trabalho forçado, mas apenas seis voltados para o extermínio, e talvez seja por isso que não senti aquele tal arrepio e lágrimas nos olhos que todos sentem quando visitam Auschwitz Birkenau. O clima é pesado, há algo na atmosfera difícil de explicar, mas não é como os relatos do maior campo de extermínio da história.  
 
"O trabalho liberta" - portão de entrada do campo.

Mas voltando a Sachsenhausen, o local virou um memorial e é aberto para visitação. Foi inaugurado em em 1936 primeiramente para prender os partidários contra a política do Führer, servindo mais tarde como campo de concentração de Judeus. O campo servia também de centro de treinamento para os oficiais da Gestapo, a polícia secreta da Alemanha.

O campo dispunha dos quartos dos prisioneiros que era basicamente um amontoado de camas, cozinha, enfermaria e mais tarde a câmara de gás. 
  
Entrada do campo. O relógio em cima da torre marca exatamente a hora que
os soviéticos chegaram e libertaram os Judeus.
 
Após o término da Guerra, os galpões foram destruídos (retângulos no chão), deixando somente dois quartos, a cozinha, a enfermaria e o que sobrou da câmara de gás, que foi praticamente destruída após bombardeios.
 
 























Quando perguntamos à guia sobre os némeros de cada Judeu e o pijama listrado, tivemos como resposta que era muito mais fácil exterminar um número, alguém que já não se parecia mais com um humano do que alguém saudável e em boa forma. Quando os Judeus chegavam nos campos, ocorria um processo de "descarecterização humana".

 
 

 
 A estátua representa dois Judeus verificando se o que está deitado (assassinado em câmara de gás) possuí algo de valor, antes de levá-lo para os fornos de cremação.
Os Judeus que faziam esse trabalho não podiam dizer nada aos demais, era proibido falar sobre as câmaras de gás. Estes "trabalhadores" frequentemente acabavam se suicidando.
 
 
 
Escombros das câmaras de gás.
 



Escombros dos fornos de cremação.
 
Fora a descaracterização humana dos Judeus, o governo investia em propagandas enganosas que aumentavam mais ainda o desgosto da população para com os Judeus. Era realmente uma lavagem cerebral. E o que muita gente não sabe hoje, é que no início da guerra, os Judeus tentaram migrar para outros países, mas seus vistos foram negados. A Austrália por exemplo, foi um país que disse que não tinham problemas raciais no país, e que não iriam ter. Parece que não houve só um culpado em tudo isso, não é? E toda essa situação de vistos negados, não lembram os refugiados das guerras atuais?
Para encerrar deixo as fotos abaixo, e digo que todos deveriam conhecer um campo de concentração. É um lembrete de que ponto a humanidade chegou e um memorial para aqueles que não devem ser nunca esquecidos.
 
 
 
Pedras para os judeus e politicos que foram exterminados. As flores murcham, mas as pedras aguentam o vento frio, o sol escaldante, a neve e as folhas de outono. O tempo pode passer, mas as pedras jamais se vão.
 


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

[Resenha] O Menino do Pijama Listrado - John Boyne


O livro o Menino do Pijama listrado, nos conta um pouco sobre a Segunda Guerra, e o que aconteceu com os judeus, porém, aos olhos de uma criança pura e ingênua, que via tudo com muita inocência – então é preciso ter uma certa noção sobre o que aconteceu entre 1939 e 1945 para saber o que está ocorrendo na história. Bruno é o personagem principal, ele mora em Berlim onde sua vida é perfeita para uma criança de nove anos, até que, por causa do trabalho de seu pai (comandante do campo de concentração em Auschwitz, o que Bruno não sabe, como também não sabe sobre a guerra que está acontecendo em seu país e sobre o holocausto) eles tem que se mudar para perto do campo, para facilitar o trabalho do pai. Em sua nova casa, Bruno não tem amigos, não tem ninguém que more perto, mas uma coisa lhe chama a atenção: várias pessoas de pijamas listrados depois de uma cerca ao longe, que consegue ver da janela de seu quarto. Ao perguntar para a irmã quem são eles, ela simplesmente responde “Judeus”, “E por que eles estão do lado de lá da cerca?”, “Porque nós não gostamos deles”, “E por que não gostamos deles?”, “Porque são judeus Bruno” [...].
 
Bruno começa a explorar ao redor da casa, até chegar na cerca e encontrar um garoto de pijama listrado, magro e triste – seu nome era Shmuel. E então uma amizade começa, e logo percebemos as coisas horríveis que eram feitas no campo, mas que para Bruno, não eram maldade, ele via tudo como “está faltando comida, por isso eles não comem muito”; “as casas são pequenas e poucas, por isso dormem todos muito juntos”. E no desenrolar da história ele e Shmuel vão ficando mais amigos, e tudo o que Bruno quer, é poder brincar do outro lado da cerca e ajudar a procurar o pai do amigo, que certo dia saiu para trabalhar e nunca mais voltou. E esse dia chega, Bruno consegue entrar no campo e ajuda Shmuel a procurar por seu pai, lá dentro ele se depara que tudo era diferente do que ele havia imaginado, guardas gritam com as pessoas e até batem nelas, as pessoas de “pijamas” são extremamente magras e tristes, não há muitas crianças por perto, e ele começa a ficar com medo e querer ir embora – mas o pior acontece. Enquanto a chuva forte caía, um apito alto soa, e várias pessoas começam a se aglomerar em volta de Shmuel e Bruno, e os forçam a ir em direção a um lugar fechado, para Bruno, era simplesmente para se proteger da chuva, mas esse local fechado, Bruno percebe, era uma câmara hermética – "era a hora do banho" . Nunca mais se ouviu falar de Bruno e Shmuel. Ambos com suas vidas acabadas em uma câmara de gás.
Os pais de Bruno nunca o acharam, nem o corpo, nem souberam o que realmente havia acontecido.
Páginas: 192.
Nota: 5 estrelas.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Idas


Passaram se semanas, mas ainda sinto sua falta e não acredito que esta saudade irá passar algum dia. Pode ser que a dor se torne suportável, ou que as lágrimas não me venham quando eu pensar em você, mas agora isto é simplesmente impossível.
Sabe, me imagino contando para você sobre meus dias, sobre a faculdade, o trabalho e.... ah Deus, como queria que você me ouvisse tocando piano... e quem sabe talvez você esteja me ouvindo de algum lugar mesmo. 
Nós sempre nos preparamos para este momento e quantas vezes pedi que seu sofrimento acabasse, mas a verdade é que nunca estamos preparados e dói demais passar em frente de sua casa e saber que ela já não mais te abriga, saber que não posso entrar lá e relembrar de todas as brincadeiras ao longo dos anos e melhores momentos de minha vida. 
Sinto muito sua falta e não há um dia que eu não queria ouvir sua voz e saber de teus conselhos. 
Me traz lágrimas aos olhos saber que não estará em meu casamento ou não verá teus bisnetos e que não me dará conselhos de como ser uma boa mãe.
Como disse, esse sentimento não vai passar, mas um dia se tornará suportável. 
Então vó, onde quer que esteja, como a estrela mais linda e brilhante que é, saiba que eu te amo e sempre amarei. 

sábado, 4 de março de 2017

Encontros


Há sempre duas formas de encontrar toda a sua família e os amigos mais chegados ou antigos: casamentos ou velórios, sendo este ultimo o mais provável.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Desordem


O pior é quando chego em casa, quando imagino que deveria estar em outro lugar, com você. Sabe, hoje tive que me maquiar para um evento, e por fora eu estava bonita e por dentro uma total desordem. Quando tirei a maquiagem no final da noite, queria estar limpando minha alma também e não só o rosto. Não tem sido fácil, e acredito que para você também não, já estive desse lado da moeda duas, três vezes e sei que é uma merda, é uma dor inexplicável, uma pressão no peito e a pergunta que não sai da mente "Por que eu?" Bem, nem eu sei a resposta para isso. Acho que todo mundo tem que passar por isso uma vez na vida, é uma merda de experiência, mas que acontece e eu realmente sinto muito por eu ser a causadora, e o pior, para aquele que mais amei e amo ainda. Queria ser eu também a juntar os cacos disso tudo, os teus e os meus também. Espero que um dia possa me perdoar ou compreender. Espero que deixe esse sentimento sair, que as coisas se acertem. Espero que encontre a felicidade e ainda tenho uma pequena esperança de que eu ainda possa te fazer sorrir. 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Partes

 

Refletindo ultimamente percebi que não tenho mais tempo para uma coisa que amo: escrever. Não há mais poesias, contos ou reflexões. Não há mais qualquer frase em um pedaço qualquer de papel.
Então assim é crescer? Trabalhar, fazer faculdade e assumir responsabilidades? Entrar no automático e não conseguir sequer formar uma frase decente?
Confesso que tenho saudades de minha mente há quatro anos e caramba já faz quatro ano em que minha mente tinha mais imaginação, em que eu sonhava mais... Os dias estão passando rápido demais e cada segundo que passa é como se um pedacinho daquela garota se fosse. Claro, sei que estou aqui, sei que sou a mesma, mas como se esta parte estivesse adormecida e necessitando urgentemente despertar. 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Fim do mundo

O que você faria se soubesse que pode perder a pessoa que você mais ama por um erro seu? Que você conseguiu estragar tudo o que mais importava. Tentaria arrumar tudo? E se parecesse que não está sendo o bastante? Um pouco desesperador, não? Pois é. Não há palavras para descrever, angústia, tristeza, sentimento de odiar a si mesmo, sentimento de falha. É como uma dor que te dilacera por dentro e faz seus joelhos falharem até você cair no chão. E depois perder esse chão também. E não há castigo pior do que passar o resto da vida sabendo isso.
São planos e sonhos construídos que podem se desfazer ao vento e cara, isso é desesperador. Novamente esta palavra. Talvez seja isso que defina tudo no momento. Talvez eu deva me agarrar a ela como esperança. Esperança de que tudo fique bem e possamos ser felizes novamente, porque não dá para voltar ao passado, mas é possível melhorar o futuro.
Erros se tornam aprendizados e com um deste tamanho é impossível que aconteça novamente.
Precisei ir até a ponta do precipício para ver o tamanho dele, enquanto poderia ter observado a distância. Vi o fim do mundo e parece que estou vivendo ele nesse exato momento. 
Tudo o que fazemos geram consequências, vem com um preço, e esta está sendo uma catástrofe.  

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Carregando o título


Quando for fazer algo, independente do que seja, pense duas, três, quatro vezes. Pense muito. Para não fazer algo que possa se arrepender pelo resto de sua vida. 

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Casa Anne Frank - Um museu com muita história

A Casa de Anne Frank é um museu extraordinário. É o esconderijo onde, durante a Segunda Guerra Mundial, Anne Frank escreveu seu diário. Citações do diário de Anne, fotos, filmes e objetos originais ilustram os acontecimentos que aqui se passaram. 


"Há de chegar o dia em que esta guerra medonha acabará, há de chegar o dia em que também nós voltaremos a ser gente como os outros e não apenas judeus!" (Anne Frank, 11 de abril de 1944).

Anne Frank: Anne Frank é uma entre os milhões de vitimas da perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Ela nasceu em 12 de Junho de 1929, em Frankfurt am Mein, na Alemanha. Em 1933, com a ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha, instalando um regime antijudaico, a família Frank, de origem judaica, decidiu mudar-se para os Países Baixos, tendo-se fixado em Amsterdam, onde o pai, Otto, estabeleceu uma empresa. 

A ocupação dos Países Baixos: Em maio de 1940, o exército alemão invadiu os Países Baixos e implementou cada vez mais medidas contra os judeus. No dia 6 de julho de 1942, Otto e Edith Frank e as filhas Margot e Anne se esconderam. 

Desaparecimento: A família Frank escondeu-se no prédio da Prisengracht 263 onde Otto Frank tinha a sua empresa. Mais tarde, juntaram-se a eles Hermann van Pels, a sua mulher Auguste, o filhos deles, Peter, e Fritz Pfeffer. O prédio da empresa de Otto era composto por duas partes: a casa da frente e a "casa de trás" ou o Anexo Secreto. No andar superior do anexo viviam as oito pessoas escondidas. 

Diário: No seu décimo terceiro aniversário, Anne recebeu um diário dos pais. Quando a família Frank decidiu refugiar-se no Anexo Secreto, Anne levou o diário consigo.

Museu: Das oito pessoas escondidas, só Otto Frank sobreviveu à guerra. Ele decidiu publicar o diário de Anne. Em 1960 o Anexo Secreto, onde viveram escondidos, tornou-se museu.

Os moradores do Anexo


Otto Frank: Nasceu em 12 de maio de 1889 em Frankfurt am Mein, Alemanha; sobreviveu à guerra e faleceu com 91 anos em Basileia, na Suiça. 

Edith Frank-Hollander: Nasceu em 16 de janeiro de 1900 em Aken, Alemanha; faleceu, no campo de extermínio Auschwitz-Birkenau, em 6 de janeiro de 1945.

Margot Frank: Nasceu em 16 de fevereiro de 1926 em Frankfurt am Mein, Alemanha; faleceu de tifo, no campo de concentração Bergen-Belsen, em março de 1945.

Anne Frank: Nasceu em 12 de junho de 1929 em Frankfurt am Mein, Alemanha; faleceu de tifo, pouco depois de Margot, no campo de concentração Bergen-Belsen, em março de 1945.

Hermann van Pels (senhor Van Daan): Nasceu em 31 de março de 1898 em Gehrde, Alemanha; faleceu, provavelmente numa câmara de gás, no campo de extermínio Auschwitiz-Birkenau, em outubro de 1944.

Auguste van Pels-Rottgen (senhora Van Daan): Nasceu em 29 de setembro de 1900 em Buer, Alemanha; faleceu durante o transporte de Bergen-Belsen para o campo de concentração Theresienstadt, em abril ou maio de 1945.

Peter van Pels (Peter van Daan): Nasceu em 8 de novembro de 1926 em Osnabruck, Alemanha; faleceu no campo de concentração Mauthausen, em abril ou em maio de 1945.

Fritz Pfeffer (Albert Dussel): Nasceu em 30 de abril de 1889 em Giessen, Alemanha; faleceu, no campo de concentração Neuengamme, em 20 de dezembro de 1944.

Os colaboradores do Anexo

Miep Gies-Santrouschitz: Nasceu em 15 de fevereiro de 1909 em Viena, Áustria; faleceu em 11 de janeiro de 2010 em Hoorn, Países Baixos.

Johannes Kleiman: Nasceu em 17 de agosto de 1895 em Koog aan de Zaan, Países Baixos; faleceu em 28 de janeiro de 1959 em Amsterdam. 

Victor Kugler: Nasceu em 6 de junho de 1900 em Hohenelbe, Áustria; faleceu em 14 de dezembro de 1981 em Toronto, Canada. 

Bep Voskuijl: Nasceu em 5 de julho de 1919 em Amsterdam, faleceu em 6 de maio de 1983 em Amsterdam.

Armazém

Otto Frank tinha duas empresas sediadas neste prédio: a Opekta e a Pectacon. A Opekta comercializava um gelificante para compota e a empresa Pectacon fazia condimentos para carne. Para tal, no armazém moíam-se especiarias, tais como pimenta e cravo.
Os empregados do armazém desconheciam que havia gente escondida no anexo. No entanto, os empregados do escritório sabiam. Otto Frank pediu-lhes para o ajudarem a ele e à sua família, na clandestinidade. 
"Durante o dia temos sempre que andar levemente e falar sem barulho, porque não nos podem ouvir no armazém" (Anne Frank 11 de julho de 1942).
Escritório

Os empregados do escritório e colaboradores, Victor, Miep, Joahannes e Bep, mantiveram-se a trabalhar para a Opekta e Pectacon durante a guerra. Partilhavam o mesmo espaço de escritório. Os colaboradores forneciam aos clandestinos alimentos, roupas, livros e jornais. Esta responsabilidade era pesada: os clandestinos estavam completamente dependentes deles e ajudar pessoas escondidas era uma atividade de grande risco.
Miep Gies e Bep Voskujil compravam alimentos nas lojas do bairro e no mercado negro. Jan gies, o marido de Miep, arranjava senhas de racionamento através de seus contatos com a resistência. Com o decorrer da guerra tornava-se cada vez mas difícil encontrar comida. 
"Kugler, por ter assumido uma responsabilidade colossal que lhe pesa demais e o põe tão nervoso que, por vezes, quase não consegue pronunciar uma palavra" (Anne Frank, 26 de maio de 1944).
Depósito

No depósito guardavam-se, entre outros, especiarias. Visto que as mesmas não podiam estar diretamente expostas à luz do dia, as janelas foram pintadas. Assim, o Anexo não era visível.

Os quartos do anexo estão vazios. em 1961, Otto Frank mandou fazer maquetes do anexo que mostram como este estava mobiliado durante o tempo em que serviu de esconderijo.
Depois dos clandestinos terem sido presos, o Anexo foi esvaziado por ordem dos nazistas. Em 1960, quando o Anexo se tornou um museu, os quartos ficaram vazios a pedido de Otto Frank. O Anexo vazio simboliza o vazio de milhões de pessoas que foram levadas e nunca mais voltaram.

Passagem com estante giratória


A estante giratória escondia a entrada para o anexo e foi construída à medida para este fim. As janelas da passagem foram forradas com papel opaco de fibra de vidro. Para quem se encontrava na parte da frente da casa, o anexo era totalmente invisível. 
"O nosso esconderijo é agora perfeito. O senhor Kugler teve a boa ideia de tapar a porta de entrada do anexo" (Anne Frank, 21 de agosto de 1942).
O esconderijo 

No dia 6 de julho de 1942, segunda-feira de manhã, Otto, Edith, Margot e Anne Frank foram para o esconderijo. Uma semana depois seguiu-se a família Van Pels: Hermann, um associado de Otto, Auguste e o filho Peter. Quatro meses maus tarde, juntou-se a eles Fritz Pfeffer, um conhecido da família Frank. Os clandestinos iriam permanecer dois anos no esconderijo. 
"Durante o dia nossas cortinas não podem abrir nem um centímetro" (Anne Frank, 28 de novembro de 1942).
Os clandestinos estavam 24 horas por dia no interior. As cortinas do anexo permaneciam sempre fechadas, para que os vizinhos não os pudessem ver. De dia, quando os trabalhadores estavam ao serviço do armazém, os clandestinos tinham de estar em silêncio. A falta de espaço no esconderijo e a angústia de serem descobertos provocaram muita tensão.

Quarto de Otto, Edith e de Margot Frank


O quarto de dormir de Otto, Edith e Margot era usado pela família Frank também como sala de estar. Anne encontrava-se aqui muitas vezes. 
Para a grande alegria dos clandestinos, os aliados chegaram à Normandia em 6 de julho de 1944. Cheios de excitação, os clandestinos seguiam os movimentos das tropas aliadas através da rádio. Num mapa, Otto Frank ia marcando os avanços.
Desde o início da vida de clandestino, Otto e Edith iam marcando com riscos na parede o crescimento das filhas. Em dois anos, Margot cresceu uns cinco centímetros e Anne mais de treze centímetros,

O quarto de Anne Frank e Fritz Pfeffer


Anne tinha de partilhar um quarto com Fritz e isso provocava regularmente grandes discussões. Custava muito a Anne não poder ir para o exterior. No sei diário podia desabafar e ela passava muito tempo escrevendo.
"Aprecia-me andar de bicicleta, danças, assoviar, ver o mundo, gozar a minha juventude, ser livre" (Anne Frank, 24 de outubro de 1943).
Como muitas meninas, Anne decorava o seu quarto com imagens. As imagens refletem a transformação de Anne menina para mulher adulta. No início, ela gostava sobretudo de estrelas de cinema, mais tardem ela interessou-se mais pela arte e pela história. Ela acrescentava imagens e colava-as umas sobre as outras.
"O pai trouxe toda a minha coleção de postais de estrelas de cinema e revistas, e eu transformei-os, com colas e pincel, em lindos quadros para as paredes. Agora o quarto tem um aspecto alegre" (Anne Frank, 11 de julho de 1942).
Banheiro

Durante o dia, os clandestinos evitavam usar o vaso sanitário e a torneira. A canalização passava pelo armazém e os empregados não sabiam que havia gente escondida no edifício. 
"'Sst... pai, quieto, Otto, sst.... Anda cá, já não podes deixar a água correr. Anda devagar!' Estes foram os vários avisos para o pai no banheiro. Às nove horas em ponto ele tem de estar na sala. Nem uma gota de água pode correr, já não se pode ir ao banheiro, não se pode andar, tudo quieto" (Anne Frank, 23 de agosto de 1943).
O quarto de Hermann e de Auguste van Pels e sala comum

O quarto de dormir de Hermann e de Auguste servia igualmente de sala de estar e de cozinha. Os clandestinos passavam aqui muito tempo a cozinhar, a comer, a estudar, a ler, a rir e a discutir. Com o decorrer do tempo, estar escondido tornava-se mais difícil. As reservas de alimentos diminuíam e as tensões e irritações aumentavam. 
"Para amanhã já não temos um pedacinho de pingue, para já não falar de manteiga ou margarina. O nosso almoço: couve de conserva de barrica! É incrível como a couve cheira mal depois de ter estado guardada durante o ano todo!" (Anne Frank, 14 de março de 1944).
Quarto de Peter van Pels


 Peter era o único dos clandestinos que tinha um "quarto" próprio. A escada no seu quarto conduzia ai sótão, onde se guardavam os alimentos. Anne e Peter passavam muito tempo no sótão. Era o único lugar onde eles podiam olhar para a rua e estarem sozinhos.
"Olhávamos os dois para o céu azul, para o castanheiro sem folhas, em cujos ramos cintilavam gotinhas, para as gaivotas, no seu voo planado, parecem de prata" (Anne Frank, 23 de fevereiro de 1944).
Inicialmente, Anne não tinha grande apreço por Peter. Mais tarde, corrigiu essa imagem; até se apaixonou por Peter e recebeu dele o seu primeiro beijo. Depois de algum tempo, estes sentimentos passaram e Anne afastava-se mais dele.

A Sjoa (traição)

Após uma denúncia feita por telefone às S.S. alemãs, a polícia invadiu a Prisengracht 263 em 4 de agosto de 1944. Tinham sido traídos. Os oito clandestinos e os colaboradores Joahnnes Kleiman e Victor Kugler foram presos. Os nazistas deixaram Miep Gies e Bep Voskujil em paz. 
Há muitas teorias sobre a traição. Nenhuma pôde ser confirmada, apesar de diversas investigações que foram feitas depois da guerra, o traidor nunca foi encontrado.
Em 3 de setembro de 1944, os oito clandestinos foram deportados para o campo de extermínio Auschwitz-Birkenau. Das oito, apenas Otto Frank sobreviveu à guerra, assim como os colaboradores. 

Otto Frank
"Para construíres um futuro, tens de conhecer o passado" (Otto Frank, 1967)
No dia 3 de junho de 1945, Otto Frank voltou para Amsterdam. Sabia que sua mulher Edith tinha morrido, mas tinha esperanças que suas filhas ainda estivessem vivas. Depois de saber que Margot e Anne tinham morrido em Bergen-Belsen, Miep Gies entregou-lhe os diários de Anne.
Após alguma hesitação, Otto decidiu publicar o diário. No dia 25 de junho de 1947, saiu a primeira edição em holandês.
Otto Frank empenhou-se, durante o resto de sua vida, no combate à discriminação e aos preconceitos. Ele teve um papel ativo na abertura do esconderijo como museu, em 1960. Até à sua morte em 1980, ele respondeu milhares de cartas de pessoas que tinham lido o diário de Anne.

O diário


"Quando escrevo, sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem volta" (Anne Frank, 5 de abril de 1944).
No seu décimo terceiro aniversário, Anne recebeu um diário com uma capa de quadrados vermelhos. Quando este ficou cheio, ela continuou a escrever em cadernos. A partir de 20 de maio de 1944, Anne reescreveu o diário em folhas soltas. Ela queria publicar um livro, depois da guerra, sobre a sua vida no Anexo Secreto. Anne também escrevia pequenas histórias e copiava frases dos livros que lia.
"O que passou, já não podemos mudar. A única coisa que podemos fazer é aprender com o passado e compreender o que significa a discriminação e a perseguição de gente inocente. A minha opinião é que todos temos a obrigação de combater os preconceitos" (Otto Frank, 1970)
"Quero continuar vivendo, mesmo depois de minha morte", escreveu Anne em seu diário em 5 de abril de 1944. Seu maior sonho? Se tornar uma grande escritora. O que ela não sabia, é que seu diário iria se tornar um dos livros mais lidos do mundo. O diário e a história da vida de Anne continuam sendo uma fonte de inspiração para pessoas de todas as gerações e nacionalidades.

"Você sabe desde muito tempo que meu maior desejo é se tornar uma jornalista, e mais tarde, uma famosa escritora. Em todo caso, depois da guerra eu gostaria de publicar um livro chamado 'O Anexo Secreto' " (foto tirada por mim, no ultimo cômodo visitado).
"Eu sei o que quero, tenho um objetivo, tenho uma opinião, tenho uma crença e um amor" (Anne Frank, 11 de abril de 1944).


Nota pessoal: Todo o texto acima foi retirado do panfleto que entregam na entrada da casa de Anne Frank. Infelizmente não é possível fotografar o museu, as fotos acima foram retiradas da internet. 
A sensação de visitar o museu é indescritível, não há palavras para explicar tamanha emoção. Ao longo do cômodos vemos frases de Anne, sua história em cada centímetro do lugar. Confesso que por diversas vezes segurei o choro, não apenas por estar ali, mas pela história que cerca todo o lugar, a história de milhares de pessoas que viveram durante aquele período, tornando-o histórico.

Foto de um dos cômodos.

domingo, 4 de janeiro de 2015

O pior cachorro do mundo

Ninguém espera chegar em casa depois de ter passado o natal na praia e receber uma má noticia - mas foi isso o que aconteceu. Eu lembro do primeiro dia dele em casa, os primeiros brinquedos e a primeira mordida que levei também. Ele não era uma mal cachorro, talvez incompreendido, mas não era mal. Parecia normal ele latir e chorar quando iria chover ou quando estouravam rojões, talvez só não fosse normal ele morder tudo e quebrar várias coisas. Ele piorava a cada dia, mas alguns cães são assim, não? Talvez fosse a idade, porque apesar de o tempo passar, não parecia que ele fosse envelhecer, e mesmo notando a barbinha branca e os olhinhos começando a acinzentar, ele sempre ia ser meu primeiro cão, novo e saudável que já tinha destruído vários ursinhos meus em brincadeiras. Então, ao chegar da praia no dia 26 recebo a noticia, ele havia partido. 12 anos. Tinha se machucado no natal e desde então teve vários ataques epiléticos. O coração já estava parando. Não suportou nem ao soro. E isso é foda pra caralho. Mesmo sendo o pior cão de todo o mundo, sinto a falta dele ao olhar para o meu corredor, e mais falta ainda ao ver o olhar triste da minha outra cadelinha. Parece que ele foi ao veterinário e vai voltar ao qualquer momento, e ai minha cadelinha vai latir e pular de alegria. Mas só parece. 

P.S: Feliz ano novo a todos.

Raphaela Barreto

domingo, 26 de outubro de 2014

Sei lá.


Foi a decisão mais difícil que tomei, sem duvida, mas foi necessário. Desci do ônibus com um aperto enorme no peito, cada passo era uma agulhada maior dentro de mim. Segurei as lágrimas, precisava ser firme, mesmo sabendo que não aguentaria bancar a durona por muito tempo. Assim que o vi as lágrimas rolaram, ele me abraçou, pediu para que eu não fosse embora, pediu perdão - mas a decisão já estava tomada. Assim que tirei aquela coisinha minuscula de meu anelar um vazio se instalou dentro de mim. Entreguei-a ele e fui embora. Chorei, solucei. Queria gritar. Parecia que uma parte de mim tinha ficado para trás. Meu instinto dizia para correr na direção oposta a que eu estava indo. Voltar para onde ele estava, abraça-lo e ficar lá para sempre. Mas eu não podia. Não mais. Não por enquanto.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Melancolia


O dia lá fora está bonito, o céu azul, mas aqui dentro não. Nunca fui de contar meus problemas e conflitos interiores para os outros – não conseguia nem fazer isso com minha psicóloga, e então eu escrevo, é mais fácil do que falar, não é? Sim, com certeza é. E então estou assim, sem muita vontade de nada, com um relacionamento caindo aos pedaços e fazendo tudo mecanicamente. Queria viajar, sozinha, para um lugar longe com natureza e esquecer-me de tudo – amigos, namorado, família, trabalho e até um pouco de mim. Mas até nisso tem um problema: 18 anos não muda nada na sua vida e seus pais não vão deixar você sair descobrindo o mundo, e o único lugar que mais se aproxima de natureza onde eu possa ir aqui, é uma ponte em cima do rio Tietê. Pois é, não ta fácil para ninguém, então eu continuo essa minha melancolia patética.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Morte


A única certeza que qualquer pessoa pode ter na vida, é a da morte. É uma situação complicada que parece estar longe de nossa realidade, sabemos que um dia irá acontecer com qualquer um que amamos, mas jamais estaremos preparados. Ao mesmo tempo que olhamos “o quintal mais verde do vizinho” a morte por um câncer, acidente de carro ou de trabalho, overdose ou causas naturais parece que sempre irá ocorrer no vizinho e quando acontece conosco é um choque. É como perder o chão, um soco no estomago e três no olho ao acordar. Só quem perdeu sabe como é, e a única coisa que nos resta é lembrar da pessoa em momentos bons e seguir em frente. Se é complicado? Com certeza, mas é isso que devemos fazer. Ninguém quer perder alguém querido, mas esse é o processo natural da vida, e querendo ou não temos que aceitar, afinal, um dia nós também iremos para um outro lugar.

O tema sugerido foi "Morte", pela Beatriz Elisa,
do Blog: Etc e Tal.. (é um blog que acompanho a bastante tempo já, e adoro tudo que vejo nele).
Não digo que o tema foi difícil, talvez um pouco complicado por se tratar de "dor", mas é algo inevitável em nossa vida. Chega até a ser casual. 
Banal.  

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Eu que não amo você


Passados tantos anos você me aparece e encontra a casa ainda desarrumada, com um pouco do seu jeito, com o resto do seu aroma, os mesmos móveis e o jardim por cuidar. Não vou admitir que foi fácil sua partida e pensei que jamais iria voltar, mas ai está você em pé a porta com duas malas nas mãos – me parecendo que veio para ficar. O batom está brilhando em seus lábios ainda, lábios que costumavam me beijar carinhosamente. Meu instinto foi correr até você, pedir que ficasse, que fizesse de nossa antiga casa um lar novamente – você me levou você, nossos filhos e um pouco de mim também. Nas madrugadas era um tormento, havia fantasmas de nosso passado nos cantos escuros da sala, havia muito vazio aqui dentro e pouco de mim. E agora você volta, me pede desculpas, mostra a foto de nossos filhos já grandes e eu apenas pergunto, por quê? Por que você me deixou em uma segunda feira cinzenta, sem explicações, e agora volta pedindo perdão? Uma lágrima escorreu de seu olho, eu te perdoo, mas quando você foi embora levou uma parte de mim, e a parte que ficou aprendeu a não confiar em ninguém e a não voltar atrás, a casa vai continuar com nossos fantasmas em seus cantos empoeirados, mas você não poderá ficar aqui, uma nova vida não pode existir onde já houve morte – sinto muito.

“Eu que não fumo queria um cigarro, eu que não amo você, envelheci dez anos ou mais, neste último mês. E eu que não bebo pedi um conhaque, pra enfrentar o inverno, que entra pela porta que você deixou aberta ao sair. [...] Senti saudade, vontade de voltar fazer a coisa certa, aqui é o meu lugar, mas sabe como é difícil encontrar, a palavra certa, a hora certa de voltar; a porta aberta, a hora certa de chegar [...]. O certo é que eu dancei sem querer dançar, e agora já nem sei qual é o meu lugar, dia e noite sem parar, procurei sem encontrar, a palavra certa, a hora certa de voltar; a porta aberta, a hora certa de chegar – Eu que não amo você, Engenheiros do Hawai.
 
O tema sugerido foi o começo do texto (em itálico) pelo wcastanheiro, 
que sem duvida é um dos melhor blogs que leio.
Ao escrever o texto tentei fugir do "você foi embora e agora que voltou tudo ficará bem e nós vamos viver felizes para sempre" Resolvi mudar tudo e ao escrever lembrei da musica do Engenheiros.