Ninguém espera chegar em casa depois de ter passado o natal na praia e receber uma má noticia - mas foi isso o que aconteceu. Eu lembro do primeiro dia dele em casa, os primeiros brinquedos e a primeira mordida que levei também. Ele não era uma mal cachorro, talvez incompreendido, mas não era mal. Parecia normal ele latir e chorar quando iria chover ou quando estouravam rojões, talvez só não fosse normal ele morder tudo e quebrar várias coisas. Ele piorava a cada dia, mas alguns cães são assim, não? Talvez fosse a idade, porque apesar de o tempo passar, não parecia que ele fosse envelhecer, e mesmo notando a barbinha branca e os olhinhos começando a acinzentar, ele sempre ia ser meu primeiro cão, novo e saudável que já tinha destruído vários ursinhos meus em brincadeiras. Então, ao chegar da praia no dia 26 recebo a noticia, ele havia partido. 12 anos. Tinha se machucado no natal e desde então teve vários ataques epiléticos. O coração já estava parando. Não suportou nem ao soro. E isso é foda pra caralho. Mesmo sendo o pior cão de todo o mundo, sinto a falta dele ao olhar para o meu corredor, e mais falta ainda ao ver o olhar triste da minha outra cadelinha. Parece que ele foi ao veterinário e vai voltar ao qualquer momento, e ai minha cadelinha vai latir e pular de alegria. Mas só parece.
P.S: Feliz ano novo a todos.
Raphaela Barreto