10/09/2013

[Resenha] Antologia Poética de Vinicius de Moraes

Antologia poética de Vinicius de Moraes é um livro que reúne diversas de suas poesias, elegias e sonetos. Pode ser divido em duas fases, a primeira frequentemente mística, que é resultante de sua fase cristã e a segunda fase em oposição à primeira, e sua aproximação com o mundo material. Eu nunca havia lido um livro inteiro de poemas e me apaixonei pela escrita de Vinicius de Moraes, ele é um escritor excepcional e fica fácil entender porque as mulheres caíam em seus pés. Vinicius de Moraes escreve de forma envolvente, intensa, e instigante. Muitas vezes ele usa da ambiguidade em suas palavras e é preciso prestar atenção para ver o real significado do poema. Para alguém novo no mundo da poesia talvez haja um pouco de dificuldade na leitura dos primeiros poemas, minha dica é: leia com calma e respeite todos os pontos, traços e vírgulas. Publiquei recentemente alguns dos poemas dele aqui no meu blog e no Sonhos de uma Madrugada de Inverno, para ver clique aqui e/ou aqui.

Quantos somos, não sei... Somos um, talvez dois, três, talvez, quatro; cinco, talvez nada
Talvez a multiplicação de cinco em cinco mil e cujos restos encheriam doze terras
Quantos, não sei... Só sei que somos muitos - o desespero da dízima infinita
E que somos belos deuses, mas somos trágicos.
[...]”

– O Poeta, V.M. 

05/09/2013

A morte - Vinicius de Moraes


A morte vem de longe
Do fundo dos céus
Vem para os meus olhos
Virá para os teus
Desce das estrelas
Das brancas estrelas
As loucas estrelas
Trânsfugas de Deus
Chega impressentida
Nunca inesperada
Ela que é na vida
A grande esperada!
A desesperada
Do amor fratricida
Dos homens, ai! dos homens
Que matam a morte
Por medo da vida.

 - Vinicius de Moraes

03/09/2013

Ternura - Vinicius de Moraes

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

 - Vinicius de Moraes