segunda-feira, 18 de junho de 2018

Onipotente e Benevolente


 […] Chartrand respirou fundo.
 - Não entendo o que vem a ser uma onipotência benevolente.
O Carmelengo sorriu.
-          Você anda lendo a Sagrada Escritura.
-          Eu tento.
-          E está confuso porque a Bíblia define Deus como uma divindade onipotente e benevolente.
-           Exato.
-          Onipotente e benevolente significa apenas que Deus é todo-poderoso e bem-intencionado.
-          Compreendo o conceito. É que parece haver uma contradição aí.
-          Sim. A contradição é a dor. A fome, as guerras, as doenças.
-          Exatamente! Chartrand sabia que o Carmelengo compreenderia. – Coisas terríveis acontecem neste mundo, A tragédia humana é como uma prova de que Deus não pode ser simultaneamente todo-poderoso e bem-intencionado. Se Ele nos ama e tem o poder de mudar nossa situação, Ele deveria evitar nossas dores, não é?
-          Deveria mesmo? – perguntou o Camerlengo.
-          [...] Bem, se Deus nos ama, se é capaz de nos proteger, Ele deveria, sim. Parece que Ele é onipotente e indiferente ou, ao contrário, benevolente e incapaz de nos ajudar.
-           - Tem filhos, tenente?
-          Não, signore.
-          Imagine se tivesse um filho de oito anos. Você o amaria?
-          Claro.
-          E faria tudo o que pudesse para evitar que ele sofresse na vida?
-          Claro que sim.
-          E deixaria que ele andasse de skate?
-          Sim, acho que sim. Com certeza deixaria que andasse de skate, mas diria a ele para ter cuidado.
-          Quer dizer que, como pai desse menino, você lhe daria uns bons conselhos básicos e deixaria que saísse e cometesse seus próprios erros?
-          Eu não correria atrás dele para mimá-lo, se é o que o senhor quer dizer.
-          E se ele caísse e ralasse o joelho?
-          Ele aprenderia a ser mais cuidadoso.
-          Então, quer dizer que, mesmo tento o poder de interferir e evitar que seu filho sentisse dor, você optaria por demonstrar seu amor deixando-o aprender suas próprias lições?
-          Claro, a dor é parte do crescimento. É como aprendemos. 
O carmelengo sacudiu a cabeça.
-          Exatamente.

Conversa entre Chartrand (Guarda Suiça) e o carmelengo Carlo (camarista do Papa).
Anjos e Demônios – Dan Brown
O livro também fala de fé e Deus.

2 comentários:

  1. Digamos que Deus é Esperança
    e divagar é bom
    com ou sem bonança, mesmo das palavras... -.`)

    Beijinhos de aqui Rafaela
    Boa e feliz semana.

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  2. Já li esse livro e amei.
    Aprendemos com nossos erros e por nossa própria experiência, não devemos ser poupados
    beijos
    http://lolamantovani.blogspot.com

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