terça-feira, 1 de setembro de 2015

[Resenha] A Bibliotecária de Aushwitz - Antonio G. Iturbe

A Bibliotecária de Aushwitz foi o primeiro livro baseado em fatos reais sobre a Segunda Guerra Mundial e o holocausto que li. Não sei muito bem como esse fascínio pelos fatos ocorridos entre 1939 e 1945 surgiu, mas ao saber do holocausto toda informação era pouca ainda tamanha minha indignação. Como milhares de pessoas puderam ser condenadas a morte pelo "crime" de serem judias? A partir disto a admiração só crescia para com aqueles que não se deram por derrotados e sobreviveram onde a morte reinava.
Sobre o livro, assim que li o título na estante da livraria fiquei curiosa, afinal, livros e um campo de extermínio em massa não poderiam estar na mesa frase - mas estavam.
O livro nos conta a história real de Dita Dorachova (com nome fictício de Edita Adlerova) que se viu obrigada a sair de sua querida Praga, ainda criança, e ir para Terezin, parecia uma cidade murada, mas era na verdade um campo temporário de judeus a caminho de Aushwitz. Aos 14 anos Dita e seus pais foram levados a Aushwitz e enquanto seus pais trabalhavam, ela passava o dia no barracão 31, onde secretamente funcionava uma escola, graças a Fredy Hirsh, e Dita, era a bibliotecária. Ela escondia os livros na barra de sua saia e cuidava deles como uma mãe cuida de seu filho: cautela, carinho e amor, afinal, eles eram seu transporte dali para outro mundo. 
Aushwitz
Em julho de 1944 o barracão 31 foi fechado, mas por sorte nada foi descoberto sobre a escola, ou todos teriam sido mortos. Dita então, junto com sua mãe, foram levadas para o campo de Hamburgo, onde trabalharam em jornadas tão longas e com refeições escassas, que os dias pareciam ter muito mas que 24h. Meses depois estavam viajando novamente, o destino era o campo Bergen-Belsen, onde não havia câmaras de extermínio em massa, fornos ou necessitavam de grande trabalho escravo, neste campo, apenas se sobrevivia. Os prisioneiros ficavam horas de pé a comandos dos guardas, se alimentavam uma vez ao dia e se é que recebiam comida - isso se considerarmos uma sopa sem nutrientes algum como comida. 
O cenário que se segue é desolador e quase impossível de acreditar onde os "humanos" conseguiram chegar com tanta crueldade. Os mortos eram jogados em uma vala imensa sem respeito algum e queimados ao céu aberto. Todos viviam em meio a pulgas, piolhos e percevejos, epidemias de tifo e condições precárias de higiene, na qual quem não tinha mais forças para levantar, fazia suas necessidades onde estavam, em suas camas - então os barracões eram uma mistura de insetos, doenças, epidemias, secreções humanas por toda parte, cadáveres e os prisioneiros quase mortos. 
Mas Dita foi forte e sua vontade de viver em meio todo aquele inferno foi maior. Ela resistiu até que finalmente os Aliados venceram a guerra e libertaram todos os prisioneiros dos campos de concentração. Dita tinha chance de recomeçar, e assim o fez. 
Mesmo nesse cenário de guerra e morte, o autor nos envolve no enredo de forma fascinante, onde passamos a fazer parte da história e a vibrar e a chorar entre as linhas. Conhecemos pessoas incríveis e passamos a refletir melhor sobre a vida. É um livro pelo qual me apaixonei do inicio ao fim, e se perguntarem qual é meu preferido, com certeza direi que este é um deles. Sentimos a emoção do escritor ao escrever sobre está incrível pessoa que é Dita Dorachova, que mesmo depois de tudo o que passou não se deixou abater - continuou a vida, procurou um trabalho, apaixonou-se, casou e constituiu uma família.

Dita Dorachova

Ao ler as páginas pude me sentir nos locais em que Dita esteve, e que por enquanto só foi possível conhecer pelos livros, mas que entrou para lista de lugares para conhecer, para poder pisar onde muitas pessoas corajosas e incríveis estiveram, e claro, onde Dita Dorachova esteve - uma mulher forte, cheia de vida, determinada e que nos faz se apaixonar cada vez mais por quem ela é: uma verdadeira heroína. 

Dita Dorachova

Páginas: 366.
Nota: 5 estrelas.

4 comentários:

  1. Raphaela,

    Ainda bem que ela sobreviveu.

    abraço
    Marcos

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  2. Parece que nunca ninguém
    chegou à razão conclusiva de tal acontecimento
    e nem tudo o que se divulga
    trará mais uma certeza na dúvida...

    Porque raio se ensombram os dias felizes nas desgraças ?

    Xoxo de aqui dos calhaus Bonita
    e um belo fim de semana feliz

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  3. Tão triste tudo que aconteceu, fiquei interessada na leitura.

    bjokas =)

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  4. Embora uma fase arrepiante e aterradora da história do mundo, tal como tu sempre me atraiu a leitura e a visualização de filmes e livros sobre época. Acho que nos dá faz dar valor a tudo o que vivemos o que temos. Tenho de ler esse. :)

    Beiijnhos Rapha.

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