domingo, 8 de outubro de 2017

Resenha, comentários e o que o autor de "Mãe" quis mostrar com o filme?


Como é que começamos a resenha de um filme que te faz ficar agoniado do início ao fim e sem entender patavidas até as últimas cenas? Pois bem, é assim que você se sente ao assistir mãe. 

Confesso que escolhi o filme meio ao acaso, sem muitas opções para a noite, mas caraca, que filme. "Mãe" é o tipo de filme que faz sua mente ficar trabalhando horas e horas depois dos créditos para tentar entender qualquer possível teoria sobre a tal história, e se eu recomendo? Claro que sim! Então vamos a resenha e conclusões e já adianto que terá alguns spoilers. 


O filme nos conta a história de um casal que mora no campo, a mulher sente um amor incondicional por seu marido e então o ajuda a reconstruir sua casa de infância após ser destruída por um incêndio. Mas toda a paz de "mãe" se vai quando visitantes indesejáveis chegam na casa. As analogias então começam, o casal estrangeiro representa os primeiros humanos do mundo: Adão e Eva, e seus filhos, Cain e Abel e acredito que não preciso entrar nos detalhes da história deles pois todos sabem como termina. 
Quando os visitantes finalmente vão embora, "mãe" engravida, e seu marido, o poeta, tem inspiração suficiente para terminar o poema, o que o torna famoso e adorado por pessoas do mundo todo, o que leva a mais visitantes na casa. 


O filme se torna agoniante porque a todo momento ela pede que as pessoas vão embora, suplica ao marido, mas ele está sempre mais preocupado com os hóspedes do que com a própria esposa. A casa inteira começa a ser destruída pelos seguidores do escritor, cultos são feitos dentro da casa, brigas acontecem e até uma guerra, sim uma guerra, e tudo isso com a "mãe" prestes a dar a luz. 
Quando finalmente seu filho nasce, ela tenta em vão que seu marido não o pegue, e quando isso acontece, o filho passa de mão em mão dos fiéis de seu marido, até que ele é morto sem querer e então as pessoas comem sua carne. Mais bizarro ainda, não? Não se lembramos da igreja ao domingo onde aprendemos que Deus nos entregou seu único filho para que morresse por nós e na Santa Ceia comemos pão e tomamos vinho, simbolizando o corpo e sangue de Jesus. 


Frustrada, machucada e magoada, "mãe" decide colocar fogo na casa, para que todos que mataram seu filho morram, para que cesse sua própria agonia. Bom, todos morrem, menos ela própria que acaba inteira queimada, e seu marido, que continua ileso. E então ela pergunta o que ele é, e obtêm como resposta "Eu sou o que Sou, e você é a casa" e pelo amor incondicional que ela sempre sentiu por ele, a casa é reconstruída e a história recomeça. 


O filme é agonizante do início ao fim, o escritor e marido representa Deus, e os estrangeiros a humanidade; o filme é claro ao mostrar nossos individualismo, nossa arrogância e que estamos dispostos a guerrear e a matar por aquilo que acreditamos. "Mãe" representa a natureza, aquela que destruímos todos os dias e que tem seus apelos ouvidos por ninguém. Maltratamos a casa onde moramos, dia após dia, tudo para suprir nossas necessidades.

A única coisa que o autor não revelou sobre o filme foi um remédio que "mãe" tomava toda vez que se sentia mal por alguém destruir a casa e o joga fora logo após ficar grávida. A teoria a seguir veio de meu namorado: seria a magia das religiões pagãs. O que faz sentido, as religiões pagãs cultuavam a natureza e aquele remédio era a única coisa que trazia paz à mulher, mas assim que ficou grávida, ela o jogou fora, encerrando assim paganismo e dando vida ao cristianismo. 
O filme é excelente e te faz pensar durante horas sobre a vida, o mundo, religiões e até sobre quem somos. Apesar de ser agoniante, o filme deveria ser assistido por todos, é uma visão bem interessante de um ateu sobre o mundo em que vivemos. 

3 comentários:

  1. Boa e feliz Semana Rafaela
    Beijinhos de aqui dos Calhaus da Serra
    de novo a arder...

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  2. Ainda não está no YouTube, mas verei quando estiver lá.
    Parece um filme interessante, mas me assustou um pouco. Fiquei curioso...

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  3. Que doidera! Quase assisti esse filme, mas os horários do cinema eram ruins. Mas é mais intrigante do que imaginei.

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