Meus sentimentos eram artificiais ou reais?
Eu amava a ideia que eu tinha do amor, não amava a
realidade, tão cética.
Eu amava imaginar você nos meus braços, do meu lado, na minha cama, e eu
poderia desabafar o mundo, esquecer-me dos meus pensamentos insidiosos.
Eu amava uma concepção, uma hipótese, quem me dera que a minha quimera fosse
minha vida.
Eu amava a mim mesmo quando estava apaixonado.
Eu amava cada insignificante detalhe do meu cotidiano sorumbático e, mesmo que
fosse um alívio programado, eu não me importava com o marasmo.
Era uma sensação lépida, um espasmo metafísico que transcendia a própria vida,
era assim quando eu te amava, quando os meus olhos se fechavam e se cruzavam
com os seus.
E mesmo você sendo uma utopia, eu atribui um sentido para a minha existência
quando idealizava esse amor, nada arrancará isso do meu cerne, nem a desilusão
da realidade e nem a ludibriação da aparência.
Eu amava a esperança de que o falso se tornasse verdadeiro, mesmo sendo falso
por inteiro, absolutamente falso.
Meus sentimentos eram reais ou artificiais?
É um deleite para os olhos poder ler seus poemas.
Obrigada por participar Vitor!