sábado, 27 de setembro de 2014

[Qualquer título serve]


Aquela prova tinha sido uma droga, eu tinha estudado a droga do mês inteiro para ficar em DP naquela droga de matéria. Droga. Meus pais iriam me matar, eles pagavam faculdade e apenas exigiam: estude. Estude 24 horas por dia - eu tinha sido a nerd em casa e a boa garota para ficar com DP. Talvez eu precisasse de umas doses. Me dirigi para o barzinho de costume, sozinha, eu queria ficar um porre. Sentei ao balcão e pedi um whisky, o ar cheirava a hortelã e alguma música que eu não conhecia estava tocando, mas era boa, o ambiente mal iluminado estava até me fazendo sentir melhor.
 - Posso me sentar aqui? - Olhei para o dono da voz, era alto e moreno, eu podia ver alguns músculos através da camisa e seu sorriso era bem cafajeste. Apenas balancei a cabeça em sinal afirmativo, a noite ia ser longa. - Onde está seu namorado?
 - Ficar em casa estudando não garante romances - disparei bebendo a terceira dose já e por que diabos eu tinha falado aquilo? 
 - Estude menos, se divirta mais - ele olhou em meus olhos para falar isso e eu estava pensando em uma resposta quando ele disparou outra - Parece que teve uma noite difícil, estou certo?
 - Sim - ok, ele sabe jogar, sabe como falar com mulheres que estão bebendo sozinhas num barzinho. Inexplicavelmente contei porque estava ali e como seria quando eu chegasse em casa, ele me pagou uma bebida que eu nem sei o nome e dez minutos depois estávamos conversando, cantando e sorrindo como se nos conhecêssemos anos a fio. Entre intervalos de tempo ele me olhava de cima a baixo, e eu sentia algo em meu estomago... que bem, não tem como explicar. E eu olhava para ele também, tentei guardar cada linha de seu corpo. Disse que precisava ir ao banheiro, e ele disse também. Fomos juntos, mas na volta para nossos lugares não foi como eu havia planejado - foi melhor. Antes de sair do corredor dos toiletes, ele puxou meu braço e então eu estava dentro de uma sala, parecia mais um escritório. Meu cérebro tinha sido lento demais para ver que ele tinha aberto a porta e depois fechado-a atrás de mim. Senti meu corpo contra a parede, e senti o corpo quente dele sobre o meu. "Não vou fazer nada que você não queria, e nem te obrigar a nada" sussurrou ele em meu ouvido, o que acendeu um desejo voraz dentro de mim. Olhei para os olhos dele, enrolei minhas mãos em seu cabelo e o puxei para um beijo - o contato foi eletrizante. Ele delineou meu rosto com as mãos e depois o corpo, ele sabia exatamente o que fazer e como fazer. Em minutos eu estava deitada sobre a mesa, e ele em cima de mim, beijando meu rosto, meu pescoço, meu corpo. Eu o queria. E não estava preocupada sobre estar em um pequeno escritório com pouca luz dentro de um barzinho, com um cara que eu não conhecia. E melhor, eu nem sabia mais o que era faculdade. Eu só sabia que ela era bom no que fazia e que meu corpo respondia positivamente - e estava ficando cansado. Minutos depois estávamos prontos para sair do aposento, e eu estava pronta para ter uma longa noite de sono.
 - Você vai embora agora, não vai? - perguntei, eu sabia o que aconteceria a seguir. Soube no momento que vi o sorrido dele. Ele veio até mim, passou a mão em meu rosto, me deu um beijo e disse apenas sim. - Posso saber o seu nome ao menos? 
 - Você não vai precisar - disse ele sorrindo e saindo da sala. Engraçado, a noite tinha sido perfeita e eu nem sabia o nome do "salvador da pátria". Não o esqueceria hoje, e nem amanhã, e se alguém perguntasse sobre arrependimento, eu sabia que nunca teria. 
Sai da sala e olhei pelo barzinho, é, ele não estava mais lá. 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Eu te espero, vem?

Roupas rasgadas pelo quarto
Nada está em seu lugar
A memória nunca funciona
Tudo se passa como um flash
Sonho ou realidade?
Me dê a mão
Vamos fingir que tudo está bem
Não vamos rotular isso
Só vamos correr por aí
Deixe o medo e as preocupações em casa
Os monstros não vão nos alcançar
Sonho ou realidade?
As chaves já estão no carro
Os livros no porta-malas
Compramos o resto na estrada
Vamos sentir o vento tocar nosso rosto
Parar em uma rodoviária abandonada
Beber, sorrir e conversar com os olhos
Sonho ou realidade?
Nós não vamos ouvir quando eles disserem 
O que temos que sentir 
Vamos colocar o celular na rua
Ver um caminhão de oito rodas estraçalhá-lo 
E saber que ninguém mais irá nos incomodar
Dormir em um hotel barato
Traçar um caminho no mapa
E entrar em uma via completamente diferente 

Você vem? Eu sei
Mas antes, abra os olhos
Precisamos acordar


Do blog Café e Ócio. Admito que sou uma leitora e fã assumida deste blog.
Dani, demorei, mas postei (: 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Hipocrisia


Hipocrisia é eu sempre falar para o meu pai desde os dez anos que gostaria de ir para os Estados Unidos para fazer um curso de inglês e aperfeiçoar o modo como eu falo e ele sempre falar que seria perca de dinheiro e tempo, uma vez que posso ter fluência morando apenas no Brasil, e agora que namoro um garoto que tem várias tatuagens e usa alargador, ele fala que eu deveria fazer igual “fulano” e ir morar no Estados Unidos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Mulheres


Alguém já percebeu como é difícil ser mulher? Não conseguir esvaziar a mente um só minuto, transformar uma gota no copo em tempestade. Sangrar cinco dias no mês com cólicas, reviver o passado com a mesma intensidade no presente, sofrer pelo futuro pensando em algo que sequer pode nem acontecer. Querer mil coisas ao mesmo tempo, querer viver um romance literário, dar sentindo a coisas banais e se estressar por besteiras. Ser sensível demais, chorona demais, carente demais, preocupada demais. Tudo é "demais" quando se trata de ser mulher. E isso é um saco. Ou talvez o problema seja só eu. (em compensação somos seres lindo, maravilhosos, graciosos, mortais com corpos que todos os homens querem). 

P.S: não usem internet da Claro, ou vocês não terão internet. Ta aí o motivo da minha ausência.