segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Confusa


Simplesmente confusa, não entendo e não sou entendida. Sou tão confusa, que me identifico com textos, músicas e até mesmo imagens confusas. Consigo entender as coisas confusas, da mesma forma que um artista entende sua obra. Às vezes, digo que não tem sentido, mas sei o sentido de não ter sentido.
A confusão para mim, se torna simples quando a simplicidade se torna confusa. Como poderia afirmar algo, se estaria negando sua outra afirmação? Como poderia concluir, se não tenho certeza de minhas conclusões?
A confusão, se observada quando se está confuso, é confusa. Se observada quando se está calmo, é complicada. Porém, se observada quando que está perdido, é simples. A maior parte de mim é confusa, e a outra, perdida, pois ainda não sei bem como defini-la, só como perdida. Sempre procuro, mas não encontro. Talvez, não encontro, porque não sei o que procuro, só sei que não é nada do qual já encontrei... Possa ser que procuro mais conhecimento, mas por que não conheço o que procuro?
Simplesmente confusa, não entendo e não sou entendida.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Lado bom


Querido, é triste vê-lo partir... Quero que saiba que ainda me encanta teu olhar sobre o mundo, porém já não somos os mesmos. O meu modo de ver as coisas lhe aborrece e não posso me desculpar por isso. Já fui como você, mas fui crescendo, coisas foram acontecendo e quando vi, pronto já pensava assim.
Será que ainda existe um lado bom em todos? Estou colocando em prática o que me ensinou, só que nem sempre é fácil não generalizar, não é fácil olhar para uma criança e não sentir pena por ela um dia perder a inocência e mergulhar nesse oceano sujo que chamamos de mundo; bom a culpa nem é do mundo, pois ele é demasiado belo a culpa são dos bípedes que se dizem sapiens. Falam sem saber, julgam sem conhecer, criticam pelo simples prazer de criticar.
Sei que nesse momento você deve estar pensando "às vezes você também faz isso", admito eu erro. Você não sabe como a luta é diária, não sabe quantas palavras já fui obrigada a engolir... Ser monossilábica e escutar mais do que dizer foram as duas formas que encontrei para tentar mudar, mas como já disse nem sempre é fácil. Algumas palavras eu engulo, mas elas não são digeridas e eu acabo as vomitando em alguém, acontece.
Nós crescemos e ficamos chatos, crescemos e ficamos sem paciência, sem tempo, sem sorrisos, sem vontade. Tem alguns que crescem e fazem coisas horríveis, coisas que os fazem desmerecer a classificação humano. 
Não sei, talvez essas palavras não o façam ficar, mas só queria que soubesse que contigo é diferente. Em você eu consigo ver o lado bom. 


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Minhas formas


Gosto das palavras, das manhãs mornas e do canto dos pássaros. Gosto da simplicidade das coisas, de sorrisos sinceros, olhares cativantes e abraços apertados. Sorrio com facilidade, mas choro também. Sou manhosa, carente, ciumenta e por diversas vezes chata. Não sei amar alguém pela metade e nem me doar em pedaços. Quero tudo ou quero nada, sou sua por inteira ou não sou nada. Gosto de carinho nas noites frias ou quentes, de abraços inesperados e de beijos alucinantes. Não tenho medo de me entregar, mas sim do que pode acontecer depois. Sou às vezes antítese ambulante, um mistério indecifrável, às vezes um livro aberto. Sou eu mesma de muitas formas, cada forma um jeito. Meu jeito, difícil de ser entendido, fácil de ser desvendado.

Raphaela Barreto
Inspirada nos textos de Clarice Lispector

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Resenha: A Hora da Estrela - Clarice Lispector

A Hora da Estrela de Clarice Lispector tem como narrador um homem e conta a história de Macabéa, uma jovem de dezenove anos que veio do sertão de Alagoas para o Rio de Janeiro tentar uma nova vida e acaba se tornando datilógrafa. Macabéa aceitava tudo que lhe era imposto, a vida era daquele jeito, simplesmente por que era – pensava ela. Deixava a vida passar na penumbra e sempre notava o mais simples, seja no trabalho, na rua ou em sua casa que era divida com outras quatro mulheres. Ela se apaixona por um rapaz e seu destino é surpreendente após ir a uma cartomante. O livro é pequeno e em minha opinião vale a pena ser lido, nos faz refletir um pouco mais sobre a vida e devo admitir que sou apaixonada pela forma como Clarice escreve. Abaixo algumas citações encontradas no livro:

“Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas, continuarei a escrever”.

“Pensar é um ato, sentir é um fato”.

“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”.

 “Não, não é fácil escrever. É duro como quebrar rochas”.

“A vida é como um soco no estômago”.

" Ela acreditava em anjo, e porquê acreditava, eles existiam"
Páginas: 87 páginas.
Nota: 4 estrelas.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Einstein

O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior.


— 
Albert Einstein.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Venenos mais lentos


Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer “E daí? Eu adoro voar!”. Não me deem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre.

— 
Clarice Lispector

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Engraçado


A vida é uma coisa engraçada e o ser humano é algo tão frágil. Somos egoístas, hipócritas, preconceituosos, amantes, energizados, loucos, comedores, falantes e pensantes. Somos legiões de bons e ruins, temos o mal e o bem dentro de nós. Seguimos tantos caminhos que nos perdemos no meio de nossa história, são tantas crenças que não sabemos em qual acreditar, são tantas palavras que não sabemos quais falar. É tanta coisa que não sabemos escolher. Somos perdidos em nós mesmos e vivemos na busca de nos achar. Somos frágeis, a mesma mão que nos deu a vida, num minuto pode tirar. Num sopro, a vida pode acabar. Repito, a vida é uma coisa engraçada. 

Raphaela Barreto

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Felicidade


Ela estava esperando por aquele momento a noite toda, ela sabia que a hora iria chegar, e ria e sorria com a timidez dele. Os dois se olhavam e ela se perdia naqueles olhos grandes e castanhos e o envolvia com seus braços. No ultimo minuto, antes de ela ter que ir embora, ele a puxou pelo braço e perguntou a tão esperada pergunta, sim – disse ela sorrindo transbordando de alegria. Mil vezes sim. Um eu te amo passou dos olhos para a boca e um sorriso brotou enquanto os lábios de ambos estavam colados um no outro. Nem mil sorrisos poderiam traduzir o coração dela enquanto ela ia embora, mas sabia que em breve voltaria a vê-lo.

Raphaela Barreto

terça-feira, 10 de setembro de 2013

[Resenha] Antologia Poética de Vinicius de Moraes

Antologia poética de Vinicius de Moraes é um livro que reúne diversas de suas poesias, elegias e sonetos. Pode ser divido em duas fases, a primeira frequentemente mística, que é resultante de sua fase cristã e a segunda fase em oposição à primeira, e sua aproximação com o mundo material. Eu nunca havia lido um livro inteiro de poemas e me apaixonei pela escrita de Vinicius de Moraes, ele é um escritor excepcional e fica fácil entender porque as mulheres caíam em seus pés. Vinicius de Moraes escreve de forma envolvente, intensa, e instigante. Muitas vezes ele usa da ambiguidade em suas palavras e é preciso prestar atenção para ver o real significado do poema. Para alguém novo no mundo da poesia talvez haja um pouco de dificuldade na leitura dos primeiros poemas, minha dica é: leia com calma e respeite todos os pontos, traços e vírgulas. Publiquei recentemente alguns dos poemas dele aqui no meu blog e no Sonhos de uma Madrugada de Inverno, para ver clique aqui e/ou aqui.

Quantos somos, não sei... Somos um, talvez dois, três, talvez, quatro; cinco, talvez nada
Talvez a multiplicação de cinco em cinco mil e cujos restos encheriam doze terras
Quantos, não sei... Só sei que somos muitos - o desespero da dízima infinita
E que somos belos deuses, mas somos trágicos.
[...]”

– O Poeta, V.M. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A morte - Vinicius de Moraes


A morte vem de longe
Do fundo dos céus
Vem para os meus olhos
Virá para os teus
Desce das estrelas
Das brancas estrelas
As loucas estrelas
Trânsfugas de Deus
Chega impressentida
Nunca inesperada
Ela que é na vida
A grande esperada!
A desesperada
Do amor fratricida
Dos homens, ai! dos homens
Que matam a morte
Por medo da vida.

 - Vinicius de Moraes

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Ternura - Vinicius de Moraes

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

 - Vinicius de Moraes