quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Vão


Eles vão.
Simplesmente em vão.
O que querem com isso?
Cadê a razão?
Dizem-se simples, mas esquecem-se da beleza das auroras,
Do canto dos rouxinóis,
Do sol nascendo e do barulho das marés nos nossos pés.
Onde estão?
Em vão?
Sorrir com outro sorriso,
Acalentar-se ao calor de um corpo,
Ver a gentileza escondida na sarjeta,
Ser você,
Pra você.
Por você.
E onde eles estão?
Caminhando na rua dos números,
Esquecendo a vida morna,
E eles vão.
Em vão.
Sem razão.
Viver em vão.
Morrer sem razão.

Raphaela Barreto.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O incriado

[...] Muito forte sou para odiar nada senão a vida
Muito fraco sou para amar nada mais do que a vida
A gratuidade está no meu coração e a nostalgia dos dias me aniquila
Porque eu nada serei como ódio e como amor se eu nada conto e nada valho.

Eu sou o Incriado de Deus, o que não teve a sua alma e semelhança
Eu sou o que surgiu da terra e a quem não coube outra dor senão a terra
Eu sou a carne louca que freme ante a adolescência impúbere e explode sobre a imagem criada
Eu sou o demônio do bem e o destinado do mal mas eu nada sou.

De nada vale ao homem a pura compreensão de todas as coisas
Se ele tem algemas que o impedem de levantar os braços para o alto
De nada valem ao homem os bons sentimentos se ele descansa nos sentimentos maus [...]

- Vinicius de Moraes

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Permita-se


Disseram-me que nós temos que ser felizes, não importa como, mas esqueceram de contar que muitas coisas na vida vão tentar te afastar da felicidade, ou que você mesmo pode se privar por causa do medo. Temos caminhos e mais caminhos para serem seguidos e sempre alguém quer dar um palpite em qual deles é melhor, mas o melhor de um pode ser o pior do outro. A vida é uma só para seguir o caminho de outrem, trilhe o seu próprio, crie sua história, seja você. Enxergue com os olhos do coração, com a cabeça nas nuvens e com os pés no chão. Permita-se fazer aquilo que quiser sem se preocupar. Permita-se amar, viver e ser feliz.
Raphaela Barreto

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Leviana

Fácil demais insistir naquilo que já pressentimos ou até temos certeza de que não nos serve mais, difícil é se comprometer com o seu amor-próprio e se livrar do peso que é tentar mudar quem não deseja mudança alguma. Sempre teremos uma justificativa, um bom motivo ou um argumento irrefutável para prolongar a nossa infelicidade. Admitir que não temos as coisas sob controle é doloroso e quase inaceitável. Usamos a manipulação para tudo. E este movimento é sempre muito sutil, às vezes, até inconsciente. Eu nunca vi lamentações resolverem problemas, nunca vi relações baseadas na carência pura darem certo ou desempregados conseguirem emprego desaguando suas desgraças numa entrevista. Estou escrevendo isto tudo porque preciso me lembrar de continuar sendo grata, humilde, ousada e corajosa. E a não ser leviana com as palavras.
— Marla de Queiroz

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Perdida


Às vezes sinto falta da garota perdida no mundo que eu era, sozinha, mas feliz. Eu vivia por ai, sem responsabilidades, sem se preocupar com nada, porque nada podia me parar, porque eu era criança. Eu nunca quis crescer, ser gente grande. Porque as pessoas grandes, só se preocupavam com números, principalmente quando envolvia sua conta bancaria. E olha só para mim, estou me tornando a garota que se preocupa mais com os números na conta bancaria do que em ser realmente feliz. Pois por algum motivo idiota, as pessoas acreditam, que são esses números os responsáveis pela sua felicidade, quando na verdade, eles são os responsáveis pro destruir ela. Eu era uma pessoa melhor quando criança. Agora, eu já nem sei mais quem sou.
Melissa Lobo 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Amor


Ele veio de fininho e eu ergui todas as barreiras, disse que seria diferente. Que não me entregaria, que não me envolveria, mas a razão parece se perder quando o primeiro sorriso bobo aparece. Eu caí e me enrolei feito presa em teia. Tenho que partir, mas também quero ficar. Sei que não é para sempre, mas quero que dure o infinito. Desejo ser diferente, mas dessa forma está bom. Ele me deixa em uma encruzilhada, perdida e apaixonada. Faz ama-lo e odiá-lo.  Faz-me sentir tudo e nada. Faz. Me desfaz. Me prende e me solta. Mas não me deixa escapar. Preciso seguir em frente, mas dói deixar o presente. Vai doer transformar em passado e vai doer se virar futuro. E analisando tudo, divagando olhando para a parede, separando o certo do errado, o incerto e a certeza, pensando e matutando, chego ao melhor de tudo: conclusão nenhuma.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Resenha - A Noite Maldita, André Vianco



Em A Noite Maldita, André começa contando sobre diferentes pessoas e suas rotinas que viram de ponta cabeça ao longo do livro. Em uma noite aparentemente normal as pessoas ouvem um estrondo inexplicável no céu seguido de uma epidemia, várias pessoas começam a dormir involuntariamente e não há nada que as acorde, e como se não bastasse acontece a queda de qualquer meio de telecomunicações, não há celulares, telefones, TV’s ou rádios, tampouco internet. As rotinas então já começam a ser quebradas, os adormecidos são levados para o hospital fazendo com que haja uma superlotação. Na noite que se segue a esta, alguns dos adormecidos e muitas pessoas até então normais, acordam com dores muito fortes no abdômen, não suportam a presença de luz e tem sede, muita sede. Sede de sangue. Surge então o caos, as pessoas não conseguem se comunicar, sistemas bancários param, superlotação nos hospitais, incêndios em todos os lugares e a energia não tarda a acabar. Finalmente as histórias das diferentes pessoas vão se cruzando e então surgem dois personagens ilustres: Cássio e Raquel, que vão lutar até o fim para conseguir o que querem. De um lado humanos, do outro, vampiros.

O que eu achei: O autor escreve de uma forma que nos prende a leitura, e por tudo acontecer no Brasil faz com que pensemos que aquilo poderia mesmo acontecer e o que faríamos. André Vianco usa o português claro e nos faz perceber que a vida em um minuto pode virar de ponta cabeça, ou acabar de uma forma que você jamais imaginou. (cinco estrelas)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Always


Dois longos anos se passaram desde a estreia do ultimo filme no cinema. Era 15 de julho de 2011 e eu me lembro dos cinemas abarrotados de gente – fãs, assim como eu. Chorei no começo do filme, chorei no meio e chorei no fim, no fim do filme, pois eu sabia que não seria o fim. Uma saga como essa não acaba de uma semana para outra, foram anos construindo um amor indestrutível, um amor que mesmo depois desse tempo todo, só os potterianos entendem. Fã uma vez, fã para sempre. Meus livros guardados nas estantes esperam para serem lidos pela geração que se seguirá a minha, meus filhos e os filhos deste.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Razão


Qual é a razão da vida? Nascer, crescer, trabalhar, fazer dinheiro, se divertir, casar, morrer e deixar uma herança para a próxima geração? Todos falam muito sobre encontrar a felicidade e ser quem realmente querem ao longo da vida, mas é isso mesmo o que acontece? Vejo todos presos em suas rotinas de estresse farreando no final de semana e dizendo que aquilo é felicidade. Já parou para pensar se tudo o que tem feito tem valido a pena? Se o mundo acabasse amanhã, você morreria feliz? Sim, não? As pessoas estão constantemente querendo buscar uma nova maneira de viver, ser feliz, deixar os problemas de lado, ser quem querem ser. Mas por que existe o problema? Por que se prendem a alguém que não querem ser? Talvez por medo. Medo do que o outro vai achar e sua felicidade vira segunda opção então. Por que não poder fazer tudo o que quer, quando quer, com quem quer? Por que não deixar a felicidade em primeiro lugar sendo você pobre, rico, branco negro, alto ou baixo? Devemos crescer em nós mesmos, ser felizes e ajudar o próximo, não crescer para ser melhor que o próximo ou querer mostrar que você está num lugar melhor, ganhando mais dinheiro. Crescer em si mesmo, espiritualmente, simplificadamente. Saber sorrir com o nascer do sol, saber observar a lua à noite. Saber viver com a natureza, não ficar feliz porque se matou de tanto trabalhar e finalmente conseguiu o ultimo modelo de celular lançado. Materiais vêm e vão, objetos são lançados a todo o momento. Criam, usamos, descartam – e às vezes somos objetos no mundo. Nascemos, vivemos acreditando que somos felizes e depois morremos. Morrer em vão. Então, qual é a razão da vida? Clichê dizer que é buscar a felicidade, clichê dizer que todos tentam fazer isso, raridade dizer que poucos morrem felizes pela vida que tiveram. Tantos se prendem a conceitos lançados pela sociedade que seu desejo é esquecido, por quê? Por que as pessoas não param de padronizar as coisas? Por que roubam? Por que querem ser umas melhores que as outras? Por que tudo isso? O sorriso de uma criança é maravilhoso, por que não dar valor a isso? Por que o capitalismo? Por que não utopia? Por que viver? Viver pode ser maravilhoso se você simplesmente se permitir. Se soltar, deixar se levar, ser quem você quer. Realmente quer.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Indiferente


Ando me estranhando...
passei todos meus limites:
Anteontem liguei para mim mesma.
E não atendi, de medo de não me achar.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Orgulho

O frio predominava naquele cenário.
A lua estava escondida por uma nuvem e a garoa fina caía.
Os dois discutiam e o orgulho crescia.
Droga, por que ela tinha sempre que se apaixonar pelo cara de cabelo bagunçado e sorriso travesso?
Ambos respiraram fundo.
Ela se continha para não deixar as lágrimas caírem, não iria chorar ali.
Ele a beijou no rosto e se afastou.
Explosão.
Cada passo dele uma lágrima dela.
Ele não olhou para trás.
Ele não voltou para busca-la.
Não voltou para abraça-la.
O orgulho gosta de fazer isso com as pessoas.
E ela ficou observando ele ir embora por tal caminho,
Um caminho, que ela também deveria seguir.

Raphaela Barreto